
sábado, 15 de maio de 2010
Resumo do dia

sexta-feira, 14 de maio de 2010
Sexta 14 de Maio




Seh Daeng

O renegado General continua em estado crítico num hospital da capital fortemente guardado por blindados e centenas de soldados como se o seu corpo metesse medo.
Mais recentemente é ele o "engenheiro" das barricadas vermelhas e é ele que treina os guardas em artes marciais e eventualmente no uso de explosivos. Como se sabe não é difícil obter material bélico pois ele é vendido ao desbarato depois de ser desviado dos arsenais militares. Por exemplo no Sul do país as balas vendem-se livremente nos mercados locais sem nenhuma interferência da polícia visto serem eles os principais intermediários. Nos incidentes ao norte da capital em Rangsit há dua semanas quando foi deixado abandonado um saco com 67 granadas veio a provar-se que era pertença de um polícia que as vendia a 1.200 bath cada.
Quando o sistema de investigação só investiga de acordo com os interesses de alguns e a justiça só julga aquilo que é conveniente e nunca vai contra interesses estabelecidos temos Seh Daengs e outros quejandos á solta a destruir este país actuando com total impunidade.
Actualização

quinta-feira, 13 de maio de 2010
O Bloqueio - Última Hora

Entretanto confirmou-se a minha especulação anterior e duas das três operadoras móveis já anunciaram a sua colaboração com o governo de modo a bloquear as comunicações na zona. São elas a AIS (curiosamente detida por Thanskin até Janeiro de 2006) e a DTAC.Sitiados

quarta-feira, 12 de maio de 2010
A Outra Guerra

Actualização da nota anterior
Acabo de vir do Ministério dos Negócios Estrangeiros e fomos informados pelo Ministro Kasit sobre os planos aprovados pelo governo na sua reunião de ontem.O principal facto, já mencionado, é a decisão do governo de "selar" a zona de Rajaprasong, cortando água, electricidade e bloqueando todos os acessos.
Contrariamente ao previamente anunciado tal medida poderá não entrar em vigor á meia-noite de hoje visto estar neste momento a decorrer uma reunião tendente a afinar o plano já que o que foi comunicado no Ministério envolveria o corte numa zona extremamente alargada afectando para além de 17 Embaixadas milhares de escritórios.
O Ministro, presume-se que em tom de brincadeira disse aos diplomatas presentes, talvez uma centena, que os aconselhava a realojar os serviços das suas missões e que pessoalmente os aconselhava a ir para Pattaya. Não sei se também em tom de brincadeira mas referiu que esta medida seria "the final act".
A sessão acabou com uma troca muito amarga de palavras entre um dos Embaixadores presentes e o Ministro que se recusou, explicitamente, a responder a uma pergunta que lhe foi feita. Um mau exercício da diplomacia.
Espera-se assim por essa cena final nesta trágico-comédia que dura há exactamente dois meses.
Acções e Palavras
Hoje o CRES anunciou que seriam cortadas, electricidade e água, aos sitiados em Rajaprasong ao mesmo tempo que seriam reforçados os controlos de modo a que reabastecimentos não possam ser levados para o acampamento.Mais um ultimato da parte de Abhisit, como o que emitiu no Domingo dando 24 horas para que dispersassem, que por certo não irá ter grande sucesso.
Primeiro estou curioso em saber como será possível cortar água e electricidade sem prejudicar todos os outros residentes e negócios (os pequenos negócios continuam abertos e florescentes como há dias referia uma reportagem). Além disso é sabido que a UDD dispõe de geradores e de grandes reservas de água. Basta ver os descomunais tanques que têm dentro do acampamento.
O ultimato foi feito anunciando que seria efectivo a partir da meia-noite próxima o que por outro lado dá tempo para que abastecimentos cheguem ao local durante o dia.
Entretanto a UDD continua a dizer que "levantará âncora" no momento em que Suthep se apresente perante a polícia, para ser acusado de ordenar o ataque sobre civis no passado dia 10 de Abril, e não como o fez ontem num orgão de investigação sob seu comando.
Mais do que palavras, anúncios, ultimatos o que se requer é acção.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Retoques no campo Político
Já várias vezes falei da imprevisibilidade da política tailandesa e ainda ontem escrevi sobre a estranha coincidência de interesses que neste momento se formou entre Abhisit e a UDD.Hoje, Thanong o editor chefe do jornal The Nation conhecido por ser ferozmente anti-thaksinista, escreve no seu blog, parte dos The Nation blogs, uma coisa que para muitos poderá parecer impensável.
Exactamente acerca dessa aliança de contrários a que fiz referencia ontem.
Thanong avança que existe uma clara aproximação entre Abhisit e o Phue Thai partido que de alguma forma encarna o ideário do antigo PM Thaksin Shinawatra.
Fala também do incómodo que está a sentir Nevin Chidchob, que sente que os "seus" 33 deputados são sempre essenciais em qualquer acordo político e que este terá dito que sem ele não há "road map", numa referência ao facto de Abhisit não o ter consultado para avançar com o plano de reconciliação, agora apelidado por muitos não de road map mas de Red Map.

Nevin e o seu pai Chai, o Presidente do Parlamento viraram rapidamente a sua atenção para se tornarem ainda mais devotos á defesa da monarquia, um facto que sempre consegue ter eco e ficar bem junto de certos sectores da sociedade. Nevin, o antigo braço direito e esquerdo de Thaksin, que tem como único propósito na carreira política o enriquecimento e o controlo do número suficiente de votos que lhe permita estar sempre em cena, com a ajuda quer do seu pai quer do Ministro do Interior Chaowarat, montaram uma máquina de controlo das próximas eleições de modo que aquele objectivo continue a ser uma realidade.
Por outro lado viraram o seu discurso somente para a "defesa da monarquia". Desde Outubro do ano passado que Nevin as únicas vezes que fala, e que são poucas, é só para louvar a monarquia ou para mostrar o seu desagrado contra algum facto que no entender dele(s) pode merecer a atenção da comunicação social como uma ofensa á monarquia. De política nunca fala, aquele que é um dos principais actores da cena política tailandesa.
Agora dedicam-se a não entenderem como existem "tantos sítios de internet contra a monarquia" e que irão devotar o seu tempo e energia a lutar contra esta causa.
Entretanto correm rumores também de que o Bhum Jai Thai Party, o seu partido pode acabar e dar lugar a um outro partido mais amplo que fosse liderado por Pravit, o actual Ministro da Defesa partido esse que teria por objectivo atingir o poder com Pravit PM e Anupong Ministro da Defesa. Deste modo Nevin continuaria na sombra, não só porque é o lugar que gosta mas também porque tem os direitos políticos cerceados até meados de 2012, trabalhando para a angariação de fundos para o partido e na sua posição de controleiro.Também o PNP (o braço político do PAD) volta a atacar o governo por entender que o que se passa actualmente é uma telenovela onde o escritor do guião anda á procura de como escrever o final feliz pois tudo tem de acabar bem para todos. Condena violentamente o "namoro" entre os dois campos e volta a apelar à intervenção contra os vermelhos.
Hoje o Vice PM Suthep apresentou-se na polícia para ouvir a acusação, devido a uma queixa das famílias das vítimas do 10 de Abril, de que é responsável pela morte de inocentes. Antes a UDD tinha dito que se Suthep se rendesse e que se o mesmo tratamento fosse garantido aos seus líderes, acabavam com a manifestação, mas agora dizem que querem que Suthep se apresente na Divisão de Supressão de Actividades Criminais e não no Departamento de Investigação Especiais onde foi! O mesmo pedido foi feito pela UDD em relação a Abhisit mas este tem de requerer o levantamento da imunidade parlamentar. Suthep no ano passado demitiu-se de Deputado depois de uma investigação ter concluído que ele violara o regulamento sobre a detenção de acções em empresas estatais por membros do parlamento.
Noutras notas soltas, o MNE Kasit chamou ao Ministério o Embaixador dos Estados Unidos para apresentar queixa por "interferência nos assuntos internos" do país por um alto funcionário americano, Kust Campbell, como ontem referi, se ter reunido com a oposição ao governo. É a segunda vez em pouco mais de duas semanas que Kasit tem um "desacordo" com os diplomatas acreditados em Bangkok. Kasit está por certo esquecido que a 12 de Abril, na Universidade John Hopkins, em plenos EEUU, comparou Thaksin a Hitler e acusou três países de o acolher: a Rússia, a Suécia e os Emiratos Árabes Unidos. Dois entendimentos do que é ingerência.A Tailândia tem nos EEUU um dos sue mais antigos aliados (177 anos) e o gesto por certo terá consequências em Washington.
Os nomes dos negociadores por ambas as partes andam já nas bocas de muitos e, a serem verdade, mostram que as negociações estão a ser muito mais feitas entre Thaksin e Abhisit do que entre a UDD e os Democratas.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Abhisit e a UDD

Basta lembrar o apoio dos americanos aos talibãs do Afeganistão na guerra deles contra os soviéticos, como um dos melhores exemplos disso.
A Tailândia é também pródiga em exemplos de partidos e indivíduos a mudarem de posicionamento e encontrarem acolhimento em campos opostos. Os actuais colegas da coligação no governo estavam todos com o partido de Thaksin antes de saltarem a barreira. Veera, o principal líder da UDD foi um proeminente membro do partido Democrata de abhisit actualmente no governo. Sondhi L., o mais mediático líder do PAD era uma dos principais sócios de negócios de Thaksin, etc, etc.
Neste momento em que as duas principais partes em conflito continuam a gerir uma guerra mediática enquanto negoceiam nos bastidores o conceito acima referido pode muito bem ser aplicado.
Quer Abhisit quer a UDD, pelo menos a liderança moderada e por certo a grossa maioria dos manifestantes, querem uma saída para esta crise, mas uma saída que lhes permita alguns ganhos políticos.
A UDD quer sair de Rajaprasong em caravana vitoriosa e de forma organizada sem que ninguém fique isolado e sujeito a ser preso ao mesmo tempo que todas as armas que eventualmente possuam (há ainda um considerável número de armas apreendidas durante o 10 de Abril que não foram devolvidas), saia sem terem de passar por controlos da polícia ou militares. Os seus líderes não querem ser presos a uma qualquer "porta" da manifestação mas querem sim apresentar-se no dia 15, como já anunciaram, na esquadra para iniciarem os procedimentos de defesa. Por outro lado não podem chegar ao palco e dizerem ás pessoas. Ganhámos e agora vão todos para casa: isso terá de ser feito com alguma pompa e com hinos de vitória que acompanhem o movimento de saída.
Do lado do governo Abhisit também luta pela sua sobrevivência e sabe que tem de lutar só. Os militares não cumprem as suas ordens e de igual modo actuará a polícia mesmo com o protegido de Abhisit á cabeça. Por outro lado a comunidade empresarial está cansada e farta daquilo que consideram as indecisões do PM. O ultimato ontem emitida pelo PM dando 24 horas para que a UDD abandone Rajaprasong, já foi hoje suavizado pelo seu Ministro da Presidência que exigia ao movimento uma "rápida resposta".
Os Estados Unidos, numa acção sem precedentes, sentaram à mesa do Adjunto de Hillary Clinton, Kurt Campbell, líderes da UDD e seus apoiantes próximos de Thaksin numa sessão de "esclarecimento" que era pressuposto também contar com pessoas do lado dos Democratas e do governo que declinaram o convite.
Outro elemento de pressão sobre Abhisit veio hoje da Comissão Nacional de Eleições ao enviar para o Tribunal Constitucional mais um caso solicitando a dissolução do Partido Democrata.
São neste momento já dois os casos de irregularidades eleitorais cometidas pelo partido, que no tribunal aguardam julgamento, no mesmo dia em que os advogados do partido solicitaram mais 30 para responder ao primeiro, cujo prazo termina dia 12.
Mais do que nunca neste momento os melhores aliados mútuos são a UDD e Abhisit. Cada um pode ajudar o outro a sobreviver ou, caso contrário, serão os dois levados numa qualquer enxurrada que estará a ser preparada.
Por alguma razão Chuan Leekpai com discrição, mas não sem emitir a sua opinião contra o plano do PM, distanciou-se.
domingo, 9 de maio de 2010
Domingo

sábado, 8 de maio de 2010
Silom

Ontem à noite percorri a maior parte de Silom no regresso de um jantar no hotel Sofitel.
Tudo isto no meio do arame farpado e de centenas de militares e policias que patrulhavam a rua e faziam vários controlos das viaturas que passavam.
Está contra qualquer plano seja ele de quem for para se conseguir a reconciliação e o único objectivo é provocar o caos e apelar, como o fizeram os amarelos à tarde, à imposição da Lei Marcial e à intervenção dos militares suprimindo todos os direitos e liberdades.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Últimas
Acabei de escrever o post anterior quando recebo a notícia de que a UDD anunciou que sairá de Rajaprasong no dia 10 de Maio, próxima Segunda-feira, depois de cerimónias religiosas pelos mortos dos acontecimentos sangrentos de 10 de Abril.
Mas como não há bela sem senão o PAD, ao mesmo tempo, apela aos militares para que decretem a Lei Marcial e expulsem os vermelhos do local de concentração.
Que se cumpra a promessa da UDD.
...e ainda Não há Luz
Começo a pensar que o meu amigo, professor universitário que outro dia me dizia que isto estaria para durar estava com razão.Talvez eu seja optimista em demasia ou que continue, como a maioria dos estrangeiros, a ter os óculos pouco focados para a ténue imagem do que é a política na Tailândia.
A ocupação da zona de Rajaprasong continua. Hoje as barricadas junto ao meu escritório foram inclusive reforçadas em altura. Também ao chegar ao escritório deparei com uma força da polícia que hoje aqui resolveu estabelecer uma das suas bases. A UDD fez também saber que mais manifestantes estão a caminho de Bangkok com a maior caravana a vir de Khon Kaen, a mais importante cidade da zona norte do Nordeste tailandês.
Abhisit tem continuado a sua ronda de conversas com os vários movimentos e as reacções não terão sido as que ele esperava.
O PAD recusa por completo a ideia de uma qualquer negociação com a UDD e continua a requerer que o governo faça avançar o exército para desalojar os manifestantes.
O movimento dos "multi cor" é menos radical mas entende que as eleições não deverão ser realizadas este ano mas sim no próximo ano, mais perto daquilo que era a proposta inicial do governo. Enfim, os dois movimentos entendem de um modo mais ou menos suave que Abhisit está a vergar aos pedidos da UDD.
Mesmo o seu partido não consegue ter uma unanimidade sobre o apoio a dar ao seu Secretário-geral embora já tivesse aprovado esse apoio. O desacordo, publicamente expresso, de Chuan Leekpai, o mais sénior dos elementos do partido, ex PM e tido como o pai político de Abhisit, é desconfortável.
Com o devido respeito, entendo que Abhisit não seguiu o melhor caminho ao dar demasiada atenção a entidades que são, como os vermelhos, movimentos de rua.
Se tivesse privilegiado os partidos políticos como os legítimos representantes do sistema político e não os movimentos fora do sistema teria ganho na sua postura de homem de estado e evitaria a constante cobertura e relevo que a estes a comunicação social dá.
O ambiente está calmo mas longe de se poder ver onde está a tal luz no fundo do túnel que todos desejam.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Ao 55º Dia

Estamos no rescaldo do anúncio do plano do Primeiro-ministro e vão-se definindo as posições dos variados grupos ao mesmo tempo que parece ter já começado a campanha eleitoral já que começaram a entrar em jogo os, até agora calados, Deputados dos vários partidos.
Dos quatro pontos da resposta da UDD o PM respondeu já ao primeiro anunciando que o dissolução do Parlamento será levada a cabo entre o dia 14 e o dia 30 de Setembro de modo a que se possam cumprir os prazos legais para a realização das eleições a 14 de Novembro. A UDD anunciou aceitar essa data
Falta agora a resposta ao ponto numero dois e é sobre este que tem havido mais trocas de mensagens, com ameaças do governo e da UDD. O levantamento do estado de emergência parece ser o sinal de que a UDD espera mas hoje um jornal de língua tailandesa referia que todos os manifestantes serão fotografados para posteriormente serem interrogados pelo exército! Sim o jornal referia o exército o que só podia acontecer no caso de imposição de Lei Marcial.
São estas mensagens de parte a parte que vão preenchendo o dia onde cada parte vai tentando marcar posições.
Entretanto o PAD já se mostrou frontalmente contra a proposta de Abhisit já que para o movimento amarelo ela é uma capitulação aos vermelhos. Também um número significativo, 32%, de votantes no Partido Democrata acusou o PM de fraqueza.
Abhisit reúne-se neste momento com o PAD presumivelmente tentando presuadir este movimento dos mediatos da sua proposta.
Do lado da UDD há festejos. No parque Lumpini houve durante mais de meia hora, foguetes por certo celebrando algo. Na Delegação até nos sentimos desprezados pois convivemos com eles todos os dias e não fomos convidados para a festa.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Wan Chattra Mongkhon

A Procisssão ainda vai no Adro
terça-feira, 4 de maio de 2010
A Resposta da UDD
Através de Veera Musikapong a UDD acaba de anunciar a sua resposta á proposta do PM Abhisit Vejjajiva.Veera afirmou.
A Direcção da UDD aprovou por unanimidade aceitar a proposta do Governo para tomar parte num processo de reconciliação nacional devido a 2 razões: 1) a reconciliação nacional faz parte e está em linha com o projecto da UDD 2) de forma a evitar mais derramamento de sangue.
Contudo a UDD requer a Abhisit a clarificação de várias questões a saber.
A definição da data das eleições não é uma competência do governo mas da Comissão Nacional de Eleições. Quer então a UDD saber quando vai o PM dissolver o Parlamento, essa sim uma competência sua.
A UDD requer uma prova real da sinceridade do governo em querer acabar com todas as ameaças.
A UDD afirma não requerer nenhuma amnistia no que respeita as acusações de que os seus líderes são terroristas e promovem um movimento anti-monarquia pois querem fazer a sua defesa em tribunal.
Por fim a UDD afirma que o Governo deve parar de envolver a monarquia em questões políticas.
Como em relação á proposta de Abhisit faltam agora as acções mas louve-se a clareza das posições da UDD e o facto de não se quererem esconder debaixo de nenhuma amnistia que cheiraria sempre a vergar a um qualquer acordo feito por debaixo da mesa.





