sábado, 17 de outubro de 2009

Chiang Mai


Faz hoje 142 dias e vejam como está crescida.

Ainda só está visivel para visitas oficiais razão pela qual, embora esteja em Chiang Mai, só vejo Lin Ping em fotografias.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ainda Mariza

John Clewley, o jornalista que tem uma coluna no Bangkok Post chamada “World Beat”, voltou a escrever sobre o concerto de Mariza no passado dia 8 em Bangkok e parte do Festival de Música e Dança da capital tailandesa.

Tinha sido o mesmo autor que há três anos tinha dito “One of the best concerts I have seen” (lembro-me de ter lido não um dos mas o melhor) e agora repete a frase afirmando que o do dia 8 “was even better”.

Por vezes temos, em Portugal, uma noção um pouco restrita daquilo que são as conquistas conseguidas no estrangeiro por artistas com o peso de Mariza e outros lutando por dar a conhecer a nossa cultura e os nossos valores e muitas vezes sem a pompa promocional que outros paises conseguem produzir.

Na passada Sexta-feira tive um jantar em casa do Embaixador Belga na capital e, como o tinha visto no concerto, perguntei-lhe se tinha gostado do espectáculo. Para meu espanto afirmou-me já ter visto a Mariza actuar ao vivo 6 vezes e que tem todos os seus discos, fazendo-me corar pois eu só a vi duas vezes e tenho uns meros 4 discos.

Mariza conquistou as gentes de Bangkok e só é pena que os discos dela não estejam acessíveis ao público aqui.

Vale a pena dar uma vista de olhos sobre o artigo do Bangkok Post que aqui fica.

Também o The Nation relatava hoje, sobre o concerto do dia 8, num artigo intitulado Fado's Beating Heart e a alturas escreve Michael Smithies que - os espectadores vêm "comer-lhe à mão" devido a forte personalidade e ao encanto de Mariza - Fala igualmente da magia da cantora ao ter conseguido transformar a enorme sala de espectaculos de Bangkok numa pequena Casa de Fado (taberna como ela lhe chamou), onde todos couberam e viveram Lisboa por uns instantes.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Rumores e mais Rumores

A falta de informação é a maior amiga do Rumor.

Os Rumores alimentam todo o tipo de mentes sejam elas as mais esclarecidas seja, elas as mais influenciáveis.

A capital está cheia de Rumores.

Nada de anormal já que por exemplo Rumores sobre golpes de estado são mais frequentes que os próprios golpes tão frequentes que já poucos lhes ligam.

Não deve haver nenhum mês em que não passe pela cabeça das pessoas, e porque são induzidas através dos rumores, que um golpe está para sair à rua. Uma vez que também embarquei num dessas rumores, ou boatos numa linguagem mais vulgar, disse a uma amiga minha que tivesse cuidado visto estar eminente a saída dos militares para as ruas ao que ela me respondeu que se eram os militares era o Rei e por isso estava descansada.

O que ela me disse é para além de tudo um sinal do conforto que o Rei transmite ao seu povo que muito o ama.

Mas os rumores desta vez são sobre a saúde do próprio Monarca o que põe milhões de corações ansiosos.

A estadia de Sua Majestade no hospital é a mais longa que a maioria das pessoas tem memória. Em 2007 esteve hospitalizado durante 25 dias na sequência de um pequeno problema cardíaco mas desta vez está hospitalizado há já cerca de 1 mês e os boletins que são diariamente emitidos pelo seu Secretariado são de alguma forma pouco elucidativos.

Ontem a Bolsa caiu mais de 4% e hoje voltou a baixar 2% sendo que um dos títulos mais penalizados foi o do Siam Commercial Bank, um banco cujo maior accionista é o Crown Property Bureau. Tal facto foi claramente assumido por jornais de língua tailandesa como um sinal de preocupação sobre a situação no país e o Presidente da Bolsa teve de vir esclarecer que tal não era justificavel.

O papel inigualável que o Rei conseguiu junto do seu povo ao longo de mais de 60 anos de reinado, faz com que qualquer pequeno problema ao seu redor seja sentido pelo país de uma forma intensa como o demonstram o já cerca de meio milhão de assinaturas nos livros que estão à disposição no hospital onde se encontra para que cada um possa desejar as melhoras ao reverendo Monarca.

Será importante que o Royal Household Bureau consiga mostrar rapidamente ao país que os cuidados médicos ministrados ao Rei estão a resultar e que ele está a ganhar forças para de novo poder acenar com carinho ao seu povo.

Como Bangkok é Grande!

Anteontem dizia-me uma amiga que vive na zona leste de Bangkok, para ter cuidado ao guiar pois a chuva era torrencial e tudo à sua volta estava “debaixo de água” o que a impedia de sair de casa.

Respondi-lhe que onde me encontrava nem sequer chovia embora mais tarde tal tenha acontecido.

Na realidade choveu bastante mas nada que “fizesse parar o trânsito” aqui no centro da cidade.

Acontece que desde essa altura tem continuado a chover com profunda intensidade ali na zona leste se bem que noutras áreas o tempo esteja calmo.

Ontem pela tarde o tempo aqui no centro era mesmo extremamente bom com o céu limpo, azul e uma brisa ligeira. Atravessei a pé todo o parque Lumpini, mesmo ao lado do escritório, e o clima era mesmo de Primavera.

Estamos no mês onde é natural haver cheias em Bangkok mas essas cheias são normalmente devidas ao facto do Chao Praya, o rio que banha a capital, sair das suas margens por força de dois elementos que se conjugam em paralelo. Vir cheio do Norte devido ao acumular das águas das chuvas e a maré do Golfo da Tailândia atingir o seu ponto mais alto tornando mais dificil o fluxo das águas para Sul.

O Governador de Bangkok já encomendou uns milhões de sacos de areia que estão a ser colocados nos pontos mais sensíveis ao longo das margens do rio para obviar à situação. Agora o que o Governador de Bangkok não estava por certo a contar é que teria de arregaçar as calças para andar na zona de Srinakharind onde há três dias consecutivos a água tomou conta das ruas.

Hoje um jornal trazia uma fotografia muito engraçada que mostrava uns garotos, a brincarem na água, como é normal nestas situações, mas estes estavam à pesca de peixes e mostravam já uma das suas capturas.
Temos assim um aparte de Bangkok “debaixo de água” e outras com sol , qual eira e nabal.


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O Dia da Polícia

Comemorou-se ontem em Nakhon Phatom, a Oeste da capital, o Dia Nacional da Polícia mas as comemorações de ontem tiveram uma particularidade bem demonstrativa do momento que a corporação atravessa.

Os cadetes e outros oficiais desfilaram numa parada como sempre acontece nestes dias. Para assistir à parada por norma deverão estar os oficiais de maior patente a começar pelo comando da corporação.

Com a confusão que tem havido desde o início de Agosto na guerra das polícias, como aqui já se chama, acontece que não foi ainda aprovada a lista das nomeações para os diferentes sectores.

Todos os anos, no dia 1 de Outubro, entra em vigor a lista das promoções e das novas funções para os três ramos militares e para a polícia, Todos os que atingiram os 60 anos de idade passam compulsivamente à reforma e são reorganizados os organigramas funcionais das forças de segurança preenchendo-se as vagas e procedendo-se às promoções de patente.

Este ano, e pela primeira vez na sua história de mais de 100 anos, a parada não teve na tribuna os comandos visto muitos já se terem reformado e os novos ainda não foram nomeados.

Quem presidiu foi o comandante interino, que tem mesmo esse carácter de interino pois neste momento é mais que seguro que não será o nomeado para assumir a posição depois de já ter sido derrotado, ele e Abhisit, por duas vezes. Igualmente não esteve presente, como é hábito, o membro do governo que tem o pelouro da corporação que neste caso seria o Ministro do Interior, Chaowarat e/ou eventualmente o Vice-Primeiro Ministro Suthep, encarregado das questões de segurança, e tal compreende-se visto ambos terem votado sempre contra o General Prhateep.

Uma força que se quer forte e coesa está neste momento, fruto da luta política em volta de quem tem mais poder para nomear o “seu” candidato, enfraquecida e insegura.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Terreno Instável

Politicamente o país está numa encruzilhada ou num marasmo como preferirem, visto o PM estar cada dia mais isolado, mas por outro lado ninguém o querer derrubar já que ninguém quer assumir a sua posição. os interesses individuais e dos grupos estão assegurados e assim Abhisit continua a gerir, a ter as dores de cabeça enquanto os outros têm os benefícios.

Ontem num almoço com um dos conselheiros do partido no poder ouvi mais uma vez a confirmação desse mesmo isolamento.

Hoje vem a lume que o suposto braço direito do PM, Suthep, confessou a um amigo, por certo para que esse viesse trazer o assunto para a praça pública, que o PM tinha atraiçoado a ele e ao já retirado ex Secretário-geral da Presidência, Niphom, ao teimar em nomear o General Prateep para o comando da Polícia.

Abhisit já não sabe como sair desta embrulhada em que se meteu e que é a muito leve ponta do grande icebergue que existe no Reino. Icebergue esse que, como muitos pelo Mundo fora, vai a pouco e pouco derretendo e fazendo com que as suas águas se tornem visíveis no exterior. Os ingleses têm uma palavra que ilustra de forma perfeita aquilo que quero transmitir. Leaks, é isso que vai acontecendo e que está a criar grande tensão na classe política tailandesa, fundamentalmente na classe urbana, dita civilizada.

Em contraste com essa luta de poder existente nos bastidores na capital, realizaram-se este fim-de-semana, um pouco por todo o pais, eleições para aquilo que podermos designar Juntas de Freguesias, os representantes mais perto do povo, e nem uma linha foi escrita sobre o assunto pelos jornais “eruditos” da capital.

Escreveram sim acerca da viagem que Abhisit fez a Ubon Ractchatani, saltando de povoação em povoação de helicóptero, mostrando a dificuldade que tem em "sentar-se á mesma mesa que o povo", para entregar alguns cheques a idosos por compensações devidas a lutas que têm há mais de 30 anos contra a construção de uma barragem.

Acontece que é a terceira tentativa que o PM faz, sempre junto de idosas em aldeias da província de Ubon, e das três vezes acaba por se sair mal. Da primeira a Grandma Nium morreu dias depois de ter sido visitada por Abhisit, Agora foi lembrado ao PM que durante a luta da Grandma Hai, que recebeu um cheque de cerca de 25.o000 Euros, houve vários governos Democratas que nada fizeram e a terceira Nong Yarak, neta da primeira, deu um anel ao PM que este vai ter de restituir visto já ter sido acusado de receber um presente que, pelo seu valor, viola as leis sobre ofertas a titulares de cargos públicos.

Dizia-me o meu amigo, que já referi, ao almoço: Abhisit é demasiado inglês (recorde-se que nasceu em Inglaterra e foi educado em Eton e Oxford) para ser PM na Tailândia e demasiado tailandês para ser PM em Inglaterra. Será por isso que ontem Abhisit recebeu o seu novo carro, um Range Rover blindado, feito no seu país natal?

Abhisit segue o seu caminho, só, embora amparado por todos, para que não tropece, enquanto os velhos políticos e o país, como aqui se relata, seguem fazendo as suas negociatas e mantendo inteiros os seus interesses que, se bem que possam parecer diferentes, são na realidade muito semelhantes.

Servirem-se a si e não servirem os outros.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Voz Portuguesa


Ontem cantou-se o Fado.

Uma pequena nota sobre o concerto de Mariza que o Combustões já relata.

Quase no final e depois de já ter a plateia rendida Mariza falou de Lisboa das tabernas de Fado e mostrou como nas pequenas vielas se canta essa música que ela vem mostrando ao Mundo de uma forma tão digna.

Chegando-se à frente do palco com os dois guitarristas, cada um apoiando o pé numa cadeira cantou (melhor cantaram pois eles também entraram no canto) sem microfone com aquela voz que encanta. Tal como diz na letra do “Transparente”, nasci para cantar.

Portugal no seu melhor

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mariza


Mariza regressa a Bangkok depois de três anos de ausência.

A 19 de Setembro de 2006, o dia em que os militares saíram à rua para depor o ex Primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, Mariza actuava no Thai Cultural Ceter naquele que foi considerado pelo Bangkok Post “the Best eve concert in Bangkok”.

Ainda me lembro de ver toda a assistência, 1089 pessoas, de pé a aplaudir a fadista depois de uma demonstração de como se canta o fado à capela.

Não só os mais de mil pessoas estavam de pé. Também a falecida Pincesa Galyani se levantou a aplaudiu viva e emocionadamente a cantora.

Uma bandeira de Portugal bem marcada e bem visível.

Espera-se esta noite outro grande sucesso.

500 Anos, Tailândia e Portugal


Já em tempos me referi a um grupo de jornalistas que estve em Bangkok, a convite do governo tailandês, e que produziu um conjunto de textos muito interessantes sobre a presença dos Portugueses no reino do Sião onde chegaram à quase 500 anos.

Agora a TVI passou duas peças, uma de 6 minutos http://pdf.clipping.mediamonitor.pt/main/movies/show_movie_new.asp?filename=/asf/20091003/200910032048404.wmv&programa=Jornal no Jornal Nacional, como aperitivo para outra mais longa de 30 minutos http://pdf.clipping.mediamonitor.pt/main/movies/show_movie_new.asp?filename=/asf/20091003/200910032128002915.wmv&programa=Jornal logo a seguir, em que faziam um promenorizado relato sobre a chegada e a presença dos portugueses por estas terras.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O Avião

Fantástico avião com as armas do Príncipe Maha Vajiralongkorn e a bandeira tailandesa a aterrar em Munique no dia 20 de Junho de 2009 parte de uma longa viagem que passou por vários aeroportos alemães, eslovenos, austríacos e Verona em Itália. Interessante a matrícula deste Boeing HS-CMV e o facto de ter pintado no corpo "Royal Flight".

O Principie é um experimentado piloto e ele próprio dirige o avião.

domingo, 4 de outubro de 2009

Domingo e o Clima

O dia nasceu cheio de Sol. Ceu azul sem nuvens. Pouco usual para esta altura do ano. Ainda estamos na estação das chuvas e o normal serão nuvens, humidade e aguaceiros que por vezes são fortes.

Felizmente Bangkok não é muito dada a sofrer com as tempestades tropicais que inundam a região e mesmo quando um tufão chega a atingir Bangkok nessa fase já se encontra, normalmente, significativamente enfraquecido.

A Cidade dos Anjos, nome pelo qual é conhecida Bangkok, paraece ter estes a protege-la.

Infelizmente não muito longe centenas de milhares de pessoas sofrem com os desastes naturais que vão acontecendeo mesmo à frente do nosso nariz.

Filipinas, Vietname, Camboja e Laos afectados pelo furação Ketsana e agora debaixo dos ventos fortes do Parma.

Na Indonésia sucessivos tremores de terra deixaram a devastação por todo o lado. A BBC através de um excelente trabalho do seu correspondente, mostrava, aquilo que era possível, do interior da ilha onde tudo desapareceu. Estradas, caminhos e outras infraestruturas desapareceram quer por força das crateras deixadas pelos abalos quer através das grande e devastadores desmoronamentos. Aí os sobreviventes tentavam com as ferramentas caseiras tentar escavar á procura de familiares e ami.gos desaparecidos

Samoa foi palco de mais um tsunami que arrasou as ilhas deixando também a destruição à sua passagem. Muitos destes desastres acontecem em zonas afastadas e de difícil acesso, como o caso de Sumatra, tornando impossível por vezes dar um verdadeira percepção da gravidade do desastre. Se bem se lembram aquando do Tsunami de devastou o sudoeste asiático em 2004 ao início falava-se em centenas de mortos e depois em poucos milhares. Quando a conta final pode ser feita estav-se perto dos 300.000 mortos.


Na Índia são hoje notícia inundações que deixam centenas sem vida na primeira contagem sobre a calmidade.

Esta semana em Bangkok reuniram-se as Nações tentando encontrar pontos de acordo para a cimeira de Dezembro em Copenhaga que se irá debruçar sobre as mudanças climatéricas. Depois de Bangkok, e em Novembro, Barcelona acolherá nova ronda de negociações que se esperam produtivas e capazes de dar respostas. Outro dia um cartoon de um jornal local titulava, mostrando vitimas a serem arrastadas por uma corrente de água, é fundamental passar das conversasões às acções.

É essa a tarefa do Mundo e a Ásia tem de ter uma palavra muito importante a dizer visto ser, neste momento, o continente mais afectado pelos desastres naturais.

Naturais mas em grande percentagem causados pela nossa negligência em tratar este Mundo em que vivemos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A Saúde do Rei

Muçulmanos tailandeses rezam pelo seu Rei


Ao fim de 12 dias de internamento começam agora a ficar mais claro o que se passa com a saúde de S M o Rei Rama IX.

Inicialmente foi internado devido a “alguma febre, fraqueza e falta de apetite” de acordo com o primeiro boletim médico que foi emitido. Depois de vários tratamentos e de algumas melhoras e recaídas, sempre de acordo com os boletins vindos a público, sabe-se agora através dos últimos boletins que o Monarca tem uma infecção pulmonar e gripe.

Desde há anos que o Monarca sofre de alguma deficiência pulmonar, sempre bem visível quando fala, e agora tal terá agravado devido a qualquer vírus que aí se alojou e provoca a infecção que em termos mais corriqueiros poderá ser comparável a uma pneumonia.

Compreende-se a necessidade de manter o Monarca no hospital e acamando visto um tratamento deste tipo ser. Normalmente longo, e a sua idade, 83 anos a completar dentro de dois meses, aconselhar a total cura antes de outras “aventuras”.

A população continua a seguir atentamente todos os pormenores que são tornados públicos.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Todas as Estradas Conduzen a Buriram



Pyanart, do The Nation, fez ontem as notas soltas na secção política do jornal e titula assim: Do All Roads really lead to Nevin?

Na realidade o momento político na Tailândia por mais voltas que dê acaba sempre à volta de Nevin Chidchob, o nunca presente mas nunca ausente, político de Buriram prestes a fazer 51 anos a 4 de Outubro.

Em Dezembro do ano passado foi a sua experiência como político, ganha ao serviço de Thaksin, que lhe permitiu organizar as forças necessárias para levar Abhisit ao poder. Junto com Shutep, o Secretário-Geral dos Democratas e homem da “velha política”, e com o auxílio dos militares encabeçado pelo mais sénior Prawit Wonsawan, o actual Ministro da Defesa, prepararam o movimento necessário para que os partidos que no Parlamento apoiavam a coligação dos thaksinistas mudassem de campo e se posicionassem atrás do jovem líder democrata.

Conquistado este primeiro passo era necessário avançar na preparação da estratégia que o poderá levar ao poder. Nevin sabe que está sem direitos políticos até Maio de 2012 mas isso não é um problema visto ter ainda a necessidade de se munir de todos os elementos que lhe permitam ser o próximo Thaksin. Mais do que ser o Primeiro Ministro ele quer suceder ao seu antigo patrão.

Formou o partido Bhum Jai Thai (orgulho de ser Thai), colocou na sua liderança o actual Ministro do Interior, Chawarat Charnwirakul, um velho homem de negócios de etnia chinesa, parceiro e apoiante de Thaksin em muitos projectos no início deste século, fundador do companhia de construções Sino-Thai, sempre bem favorecida nos contractos com o governo, e homem que pela sua avançada idade, 73 anos, não terá nenhum objectivo de reter o poder não sendo portanto uma ameaça para o homem de Buriram.

Depois de montar a estrutura era necessário obter os fundos. A Sino-Thai era um dos fornecedores, tal como o grupo King-Power, cuja principal actividade são os “Duty-Free shops”, mas era necessário manter um constante fluir de fundos para pagar os deputados pertencentes ao Partido (anterior facção Nevin), e aliciar mais para se juntarem ás hostes para engrossar o contigente visto o objectivo do Partido ser para já o de conseguir chegar aos 100 Deputados. Ao atingirem tal numera têm quase que garantida a necessidade do maior partido os consultar ou com eles formar uma coligação se quiser sobreviver no poder. Como já uma vez referi Chawarat disse isso mesmo a um grupo de diplomatas, acrescentando que nesse momento, o atingir do número desejado, “tirariam o tapete” ao governo de modo a convocar eleições.

Assim para acrescentar aos fundos das empresas que acreditam no seu potencial, Nevin colocou os seus homens em lugares no Governo de onde pudessem vir importantes fundos. Ministro dos Transportes e Ministro do Comércio. Para o Ministério do Interior ficaria a tarefa de nomear para as províncias governadores próximos do partido que pudessem ao mesmo tempo controlar os fundos atribuídos para o desenvolvimento e ser um elemento crucial em eleições. Entretanto o Ministro da Defesa pouco a pouco foi-se tornando cada vez mais próximo de Nevin e tem vindo sempre a alinhar de mesmo lado da barricada quando há que enfrentar Abhisit em qualquer guerra na qual por norma Suthep tenta esquivar-se ou abster-se.

Havia assim bastantes áreas a trabalhar para obter fundos suficientes para conduzir o partido. Havia contudo uma questão que estava pendente sempre sobre a cabeça de Nevin. A possível condenação no caso de corrupção ligado à compra de milhões de rebentos de árvores de borracha em que ele era o principal acusado. Era necessário retirar essa ameaça da frente. Primeiro adiou-se o julgamento por duas vezes e quando estava tudo assegurado este acabou em nada, absolvição, não sem que a investigação se atirasse contra o Acusador público por falta de correcta preparação na condução do julgamento. Essas discussões ocorrem na praça pública mas serão factos pouco relevantes e rapidamente sairão de cena e o que permanece é a absolvição de Nevin.

Caminho livre. Primeiro passo pressionar o PM sobre dois casos. Nomeação do comandante da polícia fazendo Abhisit perder por duas vezes na escolha do seu candidato e oposição ao processo de reforma do sistema político proposto pelo PM.

A pressão começou a dar os seus frutos e as vitórias têm vindo a crescer nos últimos dias. Aprovação de um orçamento extraordinário para a defesa, aprovação da nomeação do Secretário-Geral do Ministério da Economia contra a vontade de Abhisit (já referi os dois casos) mas o mais importante veio ontem com a aprovação do plano para o “leasing” operacional de 4,000 autocarros para Bangkok, no valor de 66 mil milhões de bath (ao início era de 100 mil milhões mas mesmo o valor actual é considerado excessivo). Abhisit disse que seguiu as recomendações do National Economic and Social Development Board (NESDB), só não referiu os 4 pontos altamente negativos que o próprio relatório apresenta e que irão implicar um acréscimo de 24,8 mil milhões de bath no orçamento de estado para fazer frente ao plano de reformas antecipadas para 7.009 empregados e para suportar as já pesadas percas do BMTA, o operador dos autocarros. Este projecto pertence ao Ministério dos Transportes.

Em contrapartida Abhisit pode nomear, Prateep, o seu candidato, como Comandante interino da Polícia e obteve a provação do Bhum jai Thai party para que o processo da reforma do sistema político passe por um referendo
O que permitirá à coligação no poder manter-se por mais quase que um ano.

Nevin, vai continuar a puxar a corda sempre que quiser, visto já saber as fragilidades e o isolamento de Abhisit, mas também fica contacte com a possibilidade de encher os cofres do Partido e de queimar tempo até ao momento em que estiver livre. Convém lembrar que a, por vezes falada amnistia para os “delitos” políticos não serve a Nevin visto que seria por demasiado escandaloso aplicar tal lei somente a ele e se isso avançasse ele teria a forte concorrência de outros políticos, num total de 220, que actualmente estão sem direitos.

Eleições


Por norma não escrevo muito sobre Portugal até porque a ideia inicial do blog era a de relatar o dia a dia em Bangkok mas não quero deixar de fazer um pequeno apontamento sobre as eleições de Domingo passado.

Mais uma vez todos ganharam. Todo, menos o PS, ganharam, matematicamente pois tiveram mais votos do que nas eleições anteriores, o PS, contudo, ganhou porque não foi derrotado (tal qual diria o Mr De La Palisse) ou seja continua a ser o primeiro partido. Até o PCTP/MRPP passou a fasquia necessária para passar a receber subvenção estatal.

Conclusão, já que todos ganharam perdeu o país pois nesta coisa de eleições tem de haver sempre alguém que perca.

Mais uma vez o país viu adiar a tão necessária reconstrução da sua infra-estrutura ética, moral e social.

Continuamos a viver num clima onde a Justiça é adiada. Onde os bastidores são mais importantes do que os palcos e onde quem não ousa lutar pelo país é recompensado.

Adia-se a vida da Nação mas não se adia a arrogância de muitos nem a sua vontade insaciável de poder.

Caminhamos sem saber para onde e poucas serão as instâncias no país capazes de merecer sequer uma positiva nas notas que o povo lhes deveria dar.

Contudo continuamos a votar sem sentido, sem capacidade de dizer Basta, sem capacidade de entender o que está mal, sem vontade de mudar.

Será que os Portugueses já atiraram a toalha ao chão?

Estar longe faz-me sentir a falta da família e dos amigos mas tenho que confessar não me falta Portugal e isso é dramático, é triste.

Apesar de não ser perfeito o sol aqui brilha, a vida olha para a frente e percebe-se que o futuro existe.

Daqui a uns dias, 8 de Outubro, vou ver a Mariza, aqui em Bangkok e relembrar Portugal.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Justiça?

O antigo Presidente do Parlamento, Yongyuth Tiyapairat, um político da ala thaksinista e que estava banido por 5 anos da actividade política foi ontem condenado a mais 5 anos de afastamento, a dois meses de pena de prisão, suspensa, e ainda a 4,000 bath (cerca de 85 Euros) de multa por ter omitido bens na sua declaração de rendimentos.

Yongyuth foi em tempos proprietário de uma empresa do sector alimentar. A empresa está inactiva desde o seu início, há 18 anos (dezoito não há engano), o que mostra e, de acordo com o acordão do Tribunal, que nunca operou. Logo após a constituição da empresa Yongyuth vendeu a posição a um seu cunhado por 850.000 bath em dinheiro e um empréstimo de 1,6 milhões de bath.

Agora o Tribunal, o mesmo que vem dizer que a empresa nunca operou, sentencia que a transaação não é válida pois a empresa, como não operava, não poderia produzir os rendimentos necessários para que o seu cunhado pagasse a dívida de 1,6 milhões como se o facto da empresa operar ou não fosse uma decisão do accionista anterior.

Conclusão: A venda é nula e portanto Yongyuth é o proprietário da empresa e ao violar a lei não declarando correctamente os seus bens particou um acto criminoso (sim, porque de crime se trata de acordo com a lei) e por isso é condenado.

Penso que não há muito a comentar sobre mais uma decisão judicial pouco cuidada. Só uma nota para referir que entretanto, ontem, noutra instância, onde se deveria julgar a doação por uma empresa estatal, através da sua agência de publicidade, de 265 milhões de bath ao partido no poder, o Democrata, o caso foi adiado pela terceira vez consecutiva, como sempre acontece quando se trata de algum caso que envolva o partido no poder.

A Fronteira da Discórdia


Hun Sen, o Primeiro Ministro do Cambodja falando na inauguração do novo edifício do Ministério do Turismo em Phnom Penh, aproveitou o momento para atacar forte sobre a Tailândia a propósito da disputa sobre os 4,6 km2 de terreno adjacentes ao templo de Khao Phrae Viharen.

Nove dias depois dos incidentes provocados pela manifestação do PAD no local Hun Sem aponta as armas contra o seu vizinho e dispara forte. Primeiro afirmou que se alguém se atrever a atravessar a fronteira (na versão do Cambodja os 4,6 km2 não são discutíveis, são deles) será recebido a tiro e continuou dizendo que tinha dado instruções ás tropas para atirar à vista caso isso aconteça. O Cambodja não quer guerra mas tem o direito de abater os inimigos no seu território, palavras bem claras de Hun Sen

Hun Sen afirmou que eventualmente levará o caso das “violações” da fronteira à próxima cimeira da ASEAN (terceira semana de Outubro) e se Abhisit me vier mostrar algum mapa deles rasgo-o na sua cara, concluiu desafiando.

Em mais um momento da grande fraqueza da liderança Tailandesa Hun Sen aproveita para entrar na via do sensacionalismo nacionalista capaz de encher de fervor patriótico os corações do seu povo e assim fazer esquecer outras mazelas.

Do mesmo modo do “lado de cá” o PAD tem usado a questão da fronteira como uma arma nacionalista mesmo sem olhar à história que lhe está por detrás.

As disputas sobre a fronteira Siamesa-tailandesa e o Cambodja estão reguladas por três documentos. O Tratado de 13 de Fevereiro de 1904, o Acordo de 23 de Março de 1907, ambos assinados pelo Rei Rama V com a França, então colonizadora do actual Cambodja e pelo Memorandun de Entendimento de Setembro de 2000 assinado durante o Governo de Chuan Lekpai. Para além destes documentos existe a decisão do International Court of Justice de Junho de 1962 que atribuiu o templo ao Cambodja, mas não se pronuncia sobre os terrenos adjacentes, e o Tratado de Amizade e Cooperação da ASEAN em que os membros signatários renunciam a qualquer forma de agressão entre si.

Através do primeiro instrumento foi obtido o acordo do trabalho iniciado pela comissão mista siamesa-francesa e em 1907 assinou-se a demarcação da fronteira que resultante desse trabalho conjunto. É esse mapa que actualmente o Cambodja reclama como bom e que na verdade nunca foi contestado, nas correctas instâncias pelos siameses-tailandeses. Nesse momento o Anexo 1 do Tratado de 1907 não foi incluído no documento, embora tivesse sido enviado ás duas capitais e é considerado trabalho da comissão mista, mas os siameses nunca reclamaram contra tal facto e o Príncipe Damrong, ao tempo Ministro do Interior recebeu o mapa e distribuiu pelos chefes provinciais.

Outro facto relevante foi a visita feita em 1930 ao templo de Phrae Vihaern pelo mesmo Príncipe Damrong onde foi recebido oficialmente pelo representante do Governador francês. No local encontrava-se hasteada a bandeira francesa. Nunca os siameses reclamaram do facto.

Note-se que o Príncipe Damrong, filho do Rei Rama IV é considerado uma das figuras mais importantes da primeira parte do século XX no Sião-Tailândia pelo seu papel de grande relevo nos sectores da Educação e da Saúde. Foi o primeiro tailandês a ver o seu nome incluído no livro que regista as pessoas mais importantes do Mundo pela UNESCO.

Como dizia um velho habitante outro dia, na altura dos confrontos na fronteira provocados pela manifestação do PAD. Sempre vivemos em paz aqui, uns com os outros, numa comunidade que muitas vezes se confunde através dos casamentos transfronteiriços, e agora vêm os de Bangkok (e eu diria os de Phnom Penh) perturbar a nossa vida e tornando-a mais difícil.

Olhando para a história, e outros melhor o farão já que não sou historiador, entende-se que sempre que um dos reinos era forte o outro vinha prestar vassalagem e vice-versa. E assim se viveram centenas de séculos em harmonia e disputas dentro de regras de respeito que agora as “politiquices” do século XXI querem estragar.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Saúde do Rei


O boletim clínico hoje divulgado anunciava que o Monarca estava com uma febre ligeira mas que o seu estado geral tinha evoluído positivamente.

Já ao fim do dia foi emitido outro relatório onde se comunica que a febre desceu e que o Rei se alimentou bastante melhor e mostrando mais apetite pelo que a medicação foi reduzida.

Jai Dee

Esta manhã um jornal de língua tailandesa chamava ao Primeiro Ministro em exercício Suthep “jai dee” o que quer dizer bom coração. Suthep ocupa a posição durante a ausência de Abhisit nos Estados Unidos para participar na Assembleia Geral das Nações Unidas e nas cimeiras do G20 e do Ambiente, estas na qualidade de actual Presidente da ASEAN.

Na realidade os seus amigos do Partido Bhum Jai Thai (BJT) têm sobejas razões para comemorar esta semana e parte dessas comemorações devem ser partilhadas com Suthep.

Ontem o Conselho de Ministros, por ele presidido, aprovou a nomeação do secretário-geral do Ministério da Economia de acordo com a proposta da Ministro. O nome de Yangyong Phuangrach tinha sido apresentado pela Ministro em início de Agosto mas Abhisit tinha sempre decidido adiar a questão. Dizia-se que isso teria a ver com a possibilidade de utilizar o seu nome como moeda de troca no caso do novo Chefe da Polícia mas ontem um jornal de língua inglesa dizia haver um conflito pessoal entre o PM e o proposto visto em tempos numa reunião em que Yangyong tinha estado presente este teria discordado de algumas afirmações feitas por Abhisit e o teria contrariado de forma muito frontal. O facto é que ontem o seu nome passou e ocupará o posto que a Ministro queria. Outra decisão do Conselho de ontem irá por certo alegrar bastante as cores azuis de Nevin. Foi aprovado uma extensão ao orçamento militar de 15 mil milhões de bath (305 milhões de euros) para aquisição de material incluindo helicópteros anti-submarino. Isto num momento em que o país vive o seu pior momento de sempre no que respeita as finanças públicas com um deficit orçamental em evolução galopante. Igualmente ontem o Conselho aprovou mais um empréstimo internacional no valor de 844 mil milhões de bath e a continuidade de outro no valor de 792 mil milhões ou seja um total de 33,870 mil milhões de euros!!

Estas medidas, todas a favor de áreas próximas do BJT, aparecem um dia após Nevin Chidchob ter sido absolvido das acusações de corrupção. Hoje fazem manchete nos jornais as acusações do ministério público contra a Assets an Examination Commssion por ter sido negligente na produção das provas permitindo assim a absolvição dos 44 acusados e a perda de face ao acusador público.

Também ontem o Ministro do Interior, e actual líder legal do BJT, vem dizer duas coisas importantes. Espera ver o general Chumpol eleito como o novo Chefe da Polícia (o proposto de Abhisit é outro) e vai nomear como “principal” do partido, sem que se compreenda bem o que isso significa, Nevin Chidchob. Recorde-se que este está banido do exercício de actividades políticas até Maio de 2012 na sequência da dissolução do Thai Rak Thai, o Partido liderado por Thaksin, no qual Nevin era o número dois.

Também contrariamente ao que Abhisit, e neste caso também Suthep, têm dito sobre a revisão constitucional dever ser feita por uma comissão para tal criada, Chaowarat disse que a revisão deve avançar rapidamente e que existem artigos que têm que ser revistos de imediato.

Será Suthep jai dee, bom coração, inocente ou cúmplice? Pelo menos foi simpático é o menos que se pode dizer.

Estas serão perguntas que para já terão resposta na interpretação de cada um.

Futsal

Já que pouco se comemora nas quase quintocentenárias relações entre a Tailândia e Portugal que vão chegar em 2011, ao menos no desporto há encontros.

Ontem em Lisboa as equipas dos dois países defrontaram-se num jogo amigável de Futsal do qual a selecção portuguesa saíu vencedora por 1-0.

Esta tarde as duas equipas volta a encontrar-se de novo.