sexta-feira, 26 de junho de 2009

Dois Pesos Duas Medidas


Ontem, numa recepção, encontrei um tailandês que é actualmente Professor de Relações Internacionais no centro Burkle da University of California, Los Angeles, UCLA, e perguntei-lhe como é que nos Estados Unidos é actualmente vista a Tailândia.

A resposta foi clara: CONFUNDIDOS

Segundo esse Professor, os americanos não conseguem compreender como é que há um Primeiro Ministro que é condenado, e forçado a demitir-se, pelo facto do seu motorista receber pouco mais de 100 doláres para os ingredientes de um programa culinário que tem na televisão (Samak), e, ao mesmo tempo, os aeroportos de Bangkok são bloqueados durante mais de uma semana causando milhares de milhões de dólares de prejuízo ao país e ninguém é apresentado perante a justiça e responsabilizado acto.

Realmente também eu deveria estar CONFUNDIDO só que, como já disse várias vezes, tudo pode acontecer na Tailândia.

Fios de Ovos Tailandeses


Com a devida vénia a Elsa Resende da Agência Lusa, aqui fica um dos seus trabalhos feito aquando da visita ao país de um grupo de jornalistas portugueses, organizada pela Embaixada da Tailândia em Lisboa.

Portugal/Tailândia: O país dos queques e dos fios de ovos

Lisboa, 12 Jun (Lusa) - Por "culpa" dos portugueses, os primeiros europeus a chegarem à Tailândia, os tailandeses comem queques e fios de ovos, nome por que são também conhecidos os jogadores da selecção de futebol das "quinas".

Os doces genuinamente tailandeses são confeccionados com arroz e leite de coco.

Maria de Guiomar Pina, filha de uma portuguesa e de um japonês, resolveu baralhar os tailandeses, introduzindo na sua gastronomia doces feitos com açúcar e ovos.

Os portugueses aportaram ao antigo Sião em 1511, quando o governador da Índia, Afonso de Albuquerque, enviou à capital do reino, Ayutthaya, um embaixador, Duarte Fernandes.

Maria de Guiomar Pina pisou território tailandês anos mais tarde, no século XVII, para fugir à perseguição aos católicos no Japão.

Casou-se com o grego Constantino Phaulkon, que se tornou confidente pessoal e primeiro-ministro do rei siamês Narai.

Com a morte do marido, que foi executado por o Sião temer uma tomada do poder por parte da França devido às fortes relações de Phaulkon com o rei francês Luís XIV, a luso-japonesa foi integrada na corte siamesa, onde, nas cozinhas reais, transmitiu a receita dos fios de ovos e queques, que ainda hoje são confeccionados artesanalmente em Thon Buri, numa das margens do rio Chao Phraya, em Banguecoque.

"Os queques apresentam formato semelhante aos nossos [portugueses], sendo o sabor ligeiramente diferente", refere a historiadora Maria da Conceição Flores, autora de "Os Portugueses e o Sião no Século XVI".

Também os fios de ovos, uma sobremesa fina usada em festas e celebrações religiosas especiais, como a ordenação de monges budistas, têm na Tailândia um paladar distinto dos de Aveiro.
"São feitos com ovos de pato e não de galinha", aponta o embaixador José Melo Gouveia .

"E podem levar aroma de jasmim", adianta Ganjanawan Grabgraigaew Cirne, co-proprietária de um restaurante de comida tailandesa em Lisboa que deixou a Tailândia, onde nasceu, para casar com um português com quem vive há sete anos.

Ora, é pelo nome de fios de ovos, "Foi Tong" em tailandês, que os jogadores da selecção portuguesa de futebol, são chamados, conta, por sua vez, Nuno Caldeira da Silva, conselheiro político da União Europeia radicado há cinco anos em Banguecoque.

Mas, se a origem portuguesa dos doces com ovos na gastronomia siamesa é consensual para lusos e tailandeses, o mesmo já não se pode dizer da comida picante.

Para os tailandeses, a malagueta chegou à Tailândia no século XVI pela mão de missionários cristãos portugueses que serviam no Brasil.

O investigador Miguel Castelo-Branco, a residir há cerca de dois anos em Banguecoque onde prepara a sua tese de doutoramento sobre as relações diplomáticas entre Portugal e a Tailândia no período 1782-2009, dá outra versão.

"O picante da comida tailandesa é originário", desde o século XII, "da Índia", aonde os portugueses aportaram três séculos depois, em 1498.

A sua chegada à Tailândia só ocorreu passados 13 anos.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A (H1N1) - Actualização


O número de pessoas infectadas na Tailândia pelo vírus A (H1N1) da presente onda de gripe deve ter neste momento ultrapassado o milhar mas não se registaram até agora nenhum caso mortal ou mesmo de grande gravidade.

As autoridades sanitárias continuam a trabalhar com bastante acerto, nada escondendo e tentando, dentro dos possíveis, alertar as pessoas para os riscos de contaminação a que estão sujeitas.

Ontem na principal base naval, em Sathahip a cerca de 150 km ao sul de Bangkok, sete recrutas testaram positivos e cerca de 200 foram de imediato colocados de quarentena para proceder a testes e obviar a mais contágios nesta célula.

Cartazes, alertando as populações, estão a ser distribuídos pelo país e os hospitais estão devidamente equipados com o antiviral necessário.

Recorde-se que a OMS autorizou a Tailândia a produzir o Tamilflu como genérico podendo assim refazer rapidamente os necessários stocks

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Tensão na Fronteira

Entre a Tailândia e o Cambodja existem cerca de 850 km de fronteira que não estão correctamente demarcadas. Uma das razões para a falta de demarcação é a existência de grande número de minas anti pessoais e as tensões que desde sempre aí se verificaram têm muito a ver com essa falta de demarcação. Acontece amiúde os soldados de um e do outro lado da “fronteira” atravessarem-na sem que tenha plenas consciência desse facto. De igual modo a falta de equipamento e de preparação adequada a isso obriga. Só como exemplo é conhecido que soldados de ambos os lados, sabendo que os seus mapas são duvidosos por colocarem as linhas de fronteira de acordo com a interpretação de cada país, utilizam o Google maps para saber onde estão. Como se sabe esses mapas não só não são objecto de nenhum acordo entre os dois países como não possuem a qualificação de documentos oficiais.


A 15 de Junho de 1962 o Tribunal Internacional de Justiça, numa decisão 9-3, decidiu que o templo da Khao Prear Vihearn pertencia ao Cambodja mas nada foi decidido, visto isso não ser parte do processo em apreciação, sobre os 4,6 km quadrados de terrenos adjacentes ao templo que continuam a ser parte dos territórios em disputa. Com há tempos escrevi é como se o templo, cambojano, estivesse no ar. O Primeiro-ministro tailandês na altura, o Marechal Sarit Thanarat, não queria entregar o templo mas o Rei Bumibol disse que as decisões do tribunal eram para ser acatadas, aliás de acordo com a estrutura de pensamento do Rei, um defensor da lei e da sua respeitabilidade como muitas vezes tem demonstrado. No dia 2 de Julho o Primeiro-ministro numa mensagem ao país através da televisão aceitou a decisão judicial e fez as tropas tailandesas saírem do templo.

No que respeita às questões fronteiriças foi constituída em 2000 uma comissão mista a Joint Boundary Commission (JCB), com o objectivo de proceder à demarcação das linhas de fronteira entre os dois países. Passados 9 anos a JCB não consegue ter nenhum avanço nos intentos para que foi constituída apesar das inúmeras declarações de boas intuições políticas de ambos os lados e no que respeita ao templo nem mesmo conseguem sair da simples elaboração daquilo que podem discutir visto não acordarem no nome do templo que, embora praticamente diferente, tem duas fonéticas diferentes para cada uma das línguas.

Na semana passada mais uma vez se ouviram discursos políticos de amizade, cordialidade e intenção de encontrar uma solução política e pacífica para o problema. Na visita que Abhisit fez a Pnhom Penh tudo correu em grande harmonia tendo inclusive o PM tailandês devolvido ao Camboja várias estátuas Khmer que tinham sido em tempos trazidas por soldados tailandeses para o país.

Acontece que ao regressar a Bangkok Abhisit declarou à comunicação social que a Tailândia iria solicitar à UNESCO, na sua reunião em Sevilha no próximo dia 15, que revisses o processo do templo e retirasse a classificação de Património da Humanidade que está em curso de confirmação.

Foi o suficiente para atear de novo a fogueira com declarações explosivas de parte a parte embora a Tailândia diga que a questão não é com o Camboja mas com a UNESCO. Fortes contingentes de forças armadas foram enviados para a fronteira pelas duas capitais e a qualquer momento poderão haver novos conflitos sendo que desta vez, segundo afirma o Chefe do Comando cambojano no local, a presença de tanto armamento pode levar a que os confrontos tomem uma proporção muito superior aos do passado ano onde cerca de 12 soldados de ambos os lados morreram.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

As Eleições em Nakhon Sakhon


A vencedora

Ontem realizaram-se eleições de extrema importância para entender os próximos passos no panorama político na Tailândia.

Em Sakhorn Nakorn สกลนคร uma das províncias do Nordeste tailandês, o Isaan, a terra sempre leal a Thaksin e onde ele encontra o maior eco para a s suas palavras realizaram-se ontem eleições intercalares devido à desqualificação de um Deputado pertencente ao Puea Thai.

O Bhum Jai Party de Nevin Chidchob, empreendeu a fundo nesta campanha vista como o primeiro passo para uma possível substituição do poder de Thaksin nesta importante parte do país.

Desde sempre o Norte e o Nordeste têm sido fiéis a Shinawatra e é aqui que as suas políticas de aproximação ás populações mais se fizeram sentir. Logo após a sua primeira vitória eleitoral Thaksin entendeu que teria de ter um seguro controlo dessas grande maioria de votos no sentido de assegurar uma maioria confortável que lhe permitisse levar a cabo as suas políticas. Assim implementou medidas dirigidas ás populações rurais satisfazendo os seus anseios o que eles mais tarde retribuíram dando-lhe a maioria absoluta.

A ligação de Thaksin às populações rural não se apagou e quando há cerca de um mês me desloquei a Khon Kaen, a capital do Issan do Norte, se assim se pode descrever a cidade, pude constatar, e mesmo pela boca dos seus adversários políticos, que Thaksin continuava no coração das populações.

Assim aconteceu ontem apesar de todos os esforços levados a cabo por Nevin e seus homens, quando a candidata do Puean Thai Party obteve 68,6% dos votos expressos dando uma inequívoca vitória ao fugitivo ex Primeiro-ministro.


Os derrotados

Na próxima semana haverá eleições em Si Sa Ket, na parte Sul do Issan, numa província de fronteira com Buriram, a terra de Nevin, mas é crível, agora, que o cenário não se altere. O Bhum Jai Thai Party, apareceu perante as câmaras de televisão com caras de grande derrota e terão agora de repensar a estratégia já que ficou claro que o seu desejo de ser a força dominante na região, que tantos deputados elege, não passa, por enquanto, de um sonho.

Para além do facto de o partido de Nevin ter que retirar para reflectir, há muitas outras implicações que estas eleições mostram. Contrariamente ao que se poderá pensar Abihsit deverá ter ficado satisfeito com a derrota do seu parceiro de coligação visto isso fazer baixar o seu poder negocial e poder ajudar à solidez do governo já que parece evidente que se a coligação se desfizer e for necessário avançar para um cenário de eleições antecipadas a coligação no poder sairia derrotada e o thaksinismo regressaria ao poder.

Contudo como sempre a imprevisibilidade é o factor dominante na Tailândia e poderá que a sentir-se derrotado Nevin eleve o seu tom de voz requerendo mais apoios para os seus Ministros nas questões orçamentais visto lhe poder parecer necessitar de mais dinheiro para as lutas eleitorais. Nevin é grande admirador da velha frase de que em política não há amigos mas também não há inimigos e os meus "inimigos" de hoje poderão ser os meus parceiros de amanhã. Assim poderá muito bem regressar ao lugar de onde partiu para ajudar a formar uma coligação com o Puea Thai se isso conseguir negociar e se mostrar necessário àquele partido para liderar uma coligação.

Existe outro factor a ter em conta que é o facto de actualmente 44 Deputados da coligação no poder estarem a ser investigados por violação de um preceito constitucional referente à detenção de acções em companhias concessionárias de serviços públicos. Se tal se provar, o que pode levar algum tempo mas é uma espada que enfraquece a coligação como já reconheceu Abhisit, isso levará à queda do governo por falta de base de sustentação no Parlamento e por tanto eleições.

Neste primeiro encontro que opôs Nevin e Thaksin, o último mostrou que ainda é aquele que mais sabe fazer política no país e derrotou o primeiro por KO técnico logo no primeiro assalto. Thaksin, para mostrar a sua real ligação ao povo e ás suas estruturas telefonou directamente para os telemóveis dos kanmam, semelhante aos presidente de câmaras, para assegurar o seu apoio à candidata do Puea Thai. Nevin fez campanha à antiga, distribuindo dinheiro e levando os pesos pesados a comícios mas os votantes já experimentaram a realidade Sginawatra a por agora essa chega-lhes.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Coligação no Poder

Os rumores que correm há bastante tempo sobre a insatisfação que se vive na liderança do Partido Democrata face aos permanentes obstáculos que os parceiros na coligação colocam à liderança, vieram hoje a público através de um artigo num dos jornais locais .

O mais falado caso é o dos autocarros para a cidade de Bangkok, no qual o Ministério dos Transportes, controlado pela facção liderada por Nevin Chidchob, pretende levar a cabo uma operação no valor de cerca de 1,4 mil milhões de Euros para fazer o leasing de 4.000 autocarros, operação que é mais do que cinco vezes o valor de aquisição dos referidos autocarros. O Governo, com a ajuda dos media que controla, trouxe o assunto para o domínio público de tal forma que ficou evidente que o partido Bhum Jai queria avançar com este projecto como forma de se financiar para as mais do que espectáveis eleições. Outro dia o líder deste Partido, e actual Ministro do Interior, uma posição chave para controlar o sistema eleitoral, disse, num almoço onde estiveram com seis pessoas, portanto não tão privado como se possa pensar, que assim que sentissem estar em condições para ganhar as eleições deixaria a coligação. Assim se passa a fidelidade dentro do poder.

Outros casos relativos às permanentes pressões exercidas sobre o executivo no sentido de conceder mais fundos a este ou aquele outro partido tem vindo a desgastar o já muito cansado Primeiro-Ministro e a própria governação.

Abhisit tem em geral conseguido ganhar tempo, tentando adiar decisões, criando comissões e comissões no sentido de conseguir, numa política de um passo e meio á frente um passo atrás, levar por diante o seu programa. Muitas das vezes tem encarregado o seu número dois, Suthep Thaugsuban, de ser o mediador de conflitos. Suthep foi o arquitecto, do lado dos Democratas, na formação da coligação e é conhecida a sua proximidade quer a Nevin quer ao Ministro da Defesa Pravit. Acontece agora que começam a aparecer demasiadas vozes discordantes dentro do próprio Partido Democrata sobre a actuação de Suthep pois este é visto como fazendo demasiadas concessões aos parceiros de coligação ao ponto de muitos levantarem dúvidas sobre as reais intenções de Suthep.

Em tempos atrás, e logo após a formação deste Governo escrevi, que Suthep, Nevin e Thaksin têm demasiados pontos em comum e demasiados interesses onde se sentem coligados para que não seja possível uma aproximação ou conjugação de esforços destes três homens para levarem a cabo um projecto comum. Muitas vezes como a história já nos ensinou, os aparentes inimigos figadais acabam coligados “a bem dos superiores interesses da nação” como sempre dizem. Parece-me que a história destes três pode fazer repetir este cenário.

A aprovação de duas leis que habilitam o governo a financiar-se com a emissão de obrigações até um valor de 8,5 mil milhões de Euros, para fazer face á grave crise financeira que o estado enfrenta, ainda veio agudizar mais as divisões pois existe uma percepção de que o governo vai arrecadar “muito dinheiro” e todos querem a sua fatia desse bolo.

Acontece que hoje, no artigo mencionado no início, Abhisit era referido como dizendo estar preparado para seguir em frente com um governo minoritário, ou seja um governo com pouca capacidade de sobreviver no Parlamento a não ser que a parte das forças armadas que o apoia, viesse a ditar de novo regras.

Se Abhisit se decidir por essa via de ruptura com parte ou todos os partidos da coligação (o artigo falava do Bhum Jai de Nevin e do Chart Pattana de Bhanharn), o mais interessante será ver o emergir à superfície da,já conhecida mas sempre negada, divisão no seio das forças armadas.

O Ministro da Defesa, Pravit está claramente ao lado de Nevin, talvez também Prayud Chan-Ocha mas Anupong quererá manter a sua independência e tentar algo por si. Por outro lado os amarelos, que neste momento se encontram fortemente divididos, poderão ter uma oportunidade para se reagrupar não como Partido da Nova Política mas com a sua velha cara de PAD.

Noutro contexto, e possivelmente para desviar as atenções de outras questões Abhisit levantou de novo a questão do templo de Prha Viharn afirmando que a Tailândia irá solicitar à UNESCO a revisão do processo de registo em curso do templo e fez tal declaração no dia imediato ao seu regresso de uma viagem de um dia ao Cambodja, onde tudo “correu num clima de grande amizade”.
Noutro contexto o número de casos de gripe A (H1N1) subiu para cerca de 700 e está espalhada por cerca de 50% do país apesar das autoridades sanitárias estarem em pleno na campanha de informação ás pessoas sobre as medidas de precaução a tomar.

E está em marcha a votação do nome para a panda. para mim seria Lin Ping. Lin o nome da mãe e Ping o do rio que percorre Chiang Mai

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A (H1N1) - actualização


O numero de casos conhecidos de pessoas contagiadas pelo vírus da gripe A(H1N1) aumentou ontem para 201 depois de terem sido diagnosticados mais 51. Pela primeira vez foram verificados casos em Phuket tendo as autoridades sanitárias procedido à desinfecção das zonas frequentadas pelos infectados.

Mais 8 escolas foram fechadas de forma a evitar o contágio entre alunos.

domingo, 14 de junho de 2009

A(H1N1)

É assim que é denominado o vírus que causa a, anteriormente denominada, gripe dos porcos.

Só poderia ser daqueles que não se lavavam pois porcos nem um morreu. Rapidamente a Organização Mundial de Saúde deu-lhe o nome cientifico correcto desta conjugação H1N1 de tipo A.

Recentemente a OMS elevou o nível da situação para o máximo, 6, o que quer dizer estarmos perante uma pandemia de dimensões ainda não calculáveis.

A Tailândia como não pode deixar de ser não está imune e o número de casos que se verificaram até agora atingem os 106 obrigando ao encerramento de escolas devido ao facto de estar confirmada a transmissão entre humanos. Dois casos foram exemplares nessa qualificação. Numa discoteca em Pattya 21 pessoas foram contaminadas devido a um cliente da China-Taipé, que foi confirmado estar contaminado, aí ter estado a divertir-se. Também muna escola em Bangkok um aluno, recentemente regressado dos Estados Unidos testou positivo ao vírus e no dia seguinte 13 dos seus colegas estavam com sintomas de gripe que se confirmou mais tarde ser provocada pelo vírus A(H1N1).

Enquanto a OMS continua a dizer, neste preciso momento em que escrevo, no seu
site oficial que na Tailândia existem 8 casos confirmados, o Ministério da Saúde confirma os 106.

O Mundo tem aprendido, com o eclodir destes fenómenos nos anos recentes que o mais importante é a saúde das pessoas do que os interesses económicos e a Tailândia não tem medo de dar mais uma machadada no seu já tão debilitado sector do turismo, visto o que está em causa é as pessoas estarem bem conscientes da situação, conscientes dos cuidados que têm que tomar e fazer a sua vida normal seguindo as instruções dos serviços de saúde e prevenção.

Todos os dias os serviços responsáveis tailandeses informam sobre a situação e nada tem sido escondido do publico que vai fazendo a sua vida normal mas por certo tenta ser cauteloso em certas situações e tomar as medidas de higiene necessárias para enfrentar a pandemia.

Só assim é que se pode vencer estes inimigos ocultos que atacam as sociedades modernas sem que nós os convidemos a entrar na nossa casa.

Bom trabalho das autoridades e do Governo do país.

Educar e informar correctamente é uma das melhores formas de prevenção nestes casos.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Voar para a Tailândia

A Air Asia, a maior companhia low cost a actuar na região, e uma das maiores no Mundo, acaba de lançar um repto ás autoridades tailandesas no sentido de repensarem a estrutura de custos aeroportuários no país se pretendem aumentar o fluxo de turistas.

A Air Asia actualmente transporta cerca de 24 milhões de passageiros anualmente (para comparação o objectivo da TAP para este ano é de 9 milhões) e é indiscutivelmente o grande operador no sector turístico na região.

Para a TailAñdia são actualmente transportados 5,2 milhões mas Tony Fernandes, o malaio, por certo de origem portuguesa, que é o fundador e presidente da companhia, quer aumentar esse número para 20 milhões em 2013.

Contudo para que tal aconteça e que a Air Asia possa ser o grande veículo dinamizador do turismo na Tailândia, torna-se necessário que as taxas aeroportuárias estejam dentro daquilo que é praticado na região.

Já uma vez aqui referi que aquando da ocupação e encerramento do Aeroporto de Bangkok os principais concorrentes, Hong Kong, Singapura e Kuala Lumpur, ofereceram a muitas companhias condições excepcionais para aí fazerem escala e que muitas delas não regressaram a aterrar em Suvarnabhumi.

Na realidade, e pode observar-se no quadro anexo, as taxas por passageiro na Tailândia, neste caso em Bangkok, são significativamente superiores ás praticadas pelos principais concorrentes fazendo com que os bilhetes de avião para esses outros destinos sejam invariavelmente mais baratos e desviando assim o fluxo turístico para outros países.

Compete ás autoridades tailandesas reagirem com celeridade pois é sabido que quando os operadores turísticos se habituam, e criam canais com um determinado destino, só com alguma dificuldade introduzirão outros destinos.


10 de Junho em Bangkok

Porque o Miguel Castelo Branco fez uma bela reportagem do dia de ontem aqui vos deixo, com a devida vénia, o link

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Panda

A nova casa dos panda com neve para um melhor ambiente



Já gatinha ou já pandinha!

O Ataque à Mesquita

Anteontem, dia 8 de Junho, um número ainda não identificado de atiradores (2-5) entrou numa mesquita em Cho Airong na Província de Narathiwat, sul de Tailândia e matou pelo menos 12 pessoas ferindo ainda outros tantos quando dispararam indiscriminadamente sobre os crentes que assistiam a um serviço religioso.

As três províncias mais ao Sul no país, Narathiwat, Yala e Pattani, são palco de permanentes incidentes violentos, especialmente desde 2004, e já morreram mais de 4.000 pessoas quer em atentados quer em confrontações entre as forças militares e militarizadas e grupos de rebeldes que lutam por um modo de vida diferente, uns e por questões autonómicas, outros. As três províncias são maioritariamente Muçulmanas, cultural e etnicamente muito próximas da Malásia e desde os tempos do colonialismo inglês no Sul. Também a confrontação das forças da ordem e as populações, como o recentemente relatado caso de Tak Bai, tem sido uma das causas não só de mortes mas também da fúria das populações.

Os sucessivos governos posteriores a Thaksin sempre anunciaram intenções de resolver o conflito pela via do diálogo e da integração da minoria budista nos costumes muçulmanos no Sul e dos muçulmanos no geral do pais, mas a oposição permanente dos militares tem sido um obstáculo para tal. Abhisit quando chegou ao poder uma das medidas que anunciou foi a intenção de desmilitarizar o Sul e de criar uma agência civil com coordenação de toda a gestão das questões tendentes a uma melhor integração das sociedades, mas nunca tal conseguiu sair do papel do programa do Governo e das suas boas intenções.

Desde o dia 5 de Junho 19 pessoas morreram na região onde se deu o ataque à Mesquita e mais de 40 ficaram feridas algumas com gravidade. Estes ataques atingem as comunidades muçulmanas e budistas de igual forma e cada vez mais são um desafio entre o Estado em Bangkok e aqueles que no Sul lutam por uma forma diferente de entender as diferenças sociais, étnicas e religiosas. Por detrás disto começam a aparecer alguns sinais do fundamentalismo islâmico que até há pouco tempo estava fundamentalmente ausente no conflito. É sabido que parte de juventude local vai frequentar madrassas no Paquistão e Afeganistão e isso não são sinais positivos para o futuro de um diálogo que se pretende poder vir a existir em breve.

A Tailândia nunca quis “internacionalizar” o conflito tentando mantê-lo sempre dentro das suas fronteiras e as deslocações de diplomatas ao Sul do país deverão ser sempre feitas com prévia autorização do Ministério dos Negócios Estrangeiros mas a falta de um avanço no encontrar de soluções vai pondo em questão essa política de isolamento.

Abhisit com a decisão de Tak Bai e com o incremento dos ataques fica cada vez mais dependente daqueles que ele se queria ver livre ou seja dos comandos militares que, ao abrigo de entenderem existir um estado de conflito permanente na região, obtêm uma lei marcial e um decreto de estado de emergência que lhes permite actuar a seu bel-prazer e sem escrutínio, como se viu na sentença do caso Tak Bai. O controlo de todo o tipo de tráfico que é feito na fronteira com a Malásia é por demais importante para que os grupos que aí actuam, a coberto das autoridades, deixem que os políticos de Bangkok se intrometam nas suas actividades.

Assim vai um conflito sem fim à vista e no qual o grosso das populações só quer é encontrar uma forma de viver a sua cultura e a sua religião ao lado dos outros que são diferentes, mas irmãos.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A Grande Atracção

No dia 27 de Maio nasceu no zoo de Chiang Mai um panda. Segundo os especialistas é a primeira vez que uma panda nasce em Maio visto o período normal de nascimento é entre Julho e Setembro.

A pequena panda que ainda não tem nome, havendo mesmo um concurso, oferecendo o zoo 1 milhão de bath (cerca de 20.000 Euros) para este lhe ser atribuído, nasceu através da segunda tentativa de inseminação artificial da sua mão, Lin Hui, que está em Chiang Mai ao abrigo de um protocolo com as autoridades Chinesas que emprestaram por um período de 10 anos à cidade do norte um casal de pandas, que é a grande atracção daquele parque zoológico.

Com o nascimento do novo habitante, as filas para visitar o zoo e ver, através de uma câmara, o "rebento" são agora enormes visto este se ter tornado rapidamente na grande novidade.

Variadas foram as tentativas para que o casal de pandas tivesse um filho por meios naturais tendo os tratadores chegados ao ponto de exibirem filmes eróticos de pandas de modo a tentar aumentar a libido do casal mas sem sucesso.

Assim foi recorrido à inseminação artificial e á segunda tentativa nasceu o pequeno panda.

Sabendo-se da fragilidade destes animais imediatamente um grupo de peritos chineses se deslocou para Chiang Mai para ajudar os veterinários e tratadores do zoo a lidar com esta novidade. O facto de ser o primeiro filho de Lin Hui faz aumentar as precauções pois não é sabido até que ponto ela é capaz de tratar da sua filha, visto tratar-se de uma panda conforme confirmou um dos peritos chineses que actualmente está em Chiang Mai.

O nascimento ocorreu na maior surpresa pois o pessoal do zoo não sabia que Lin Hui estava grávida. Se virem as fotos podem constatar que na realidade não se deve notar nenhuma alteração no corpo da mãe, o que eventualmente haverá é alguma alteração nos seus hábitos e comportamentos.

O facto é que a pequena panda parece estar a reagir bem ao ambiente, já se levantou nas frágeis patas e alimenta-se do leite materno embora sempre acompanhada dos cuidados de toda uma equipa que a quer ver singrar na vida.

Apesar da grande turbulência que existe no seio da coligação no poder, com muitos jogos nos bastidores, e da morte de David Carrendine no quarto de um hotel em Bangkok, em circunstâncias pouco claras e muito semelhantes à da de Michael Hutchence, o nascimento do panda, e agora o concurso para lhe dar um nome, são as grandes noticias que trazem os tailandeses agarrados à televisão.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Tak Bai

Tak Bai é uma povoação na província da Narathiwat no Sul da Tailândia, infelizmente celebre pelo incidente que aí aconteceu e que tirou a vida a muitas pessoas.

Em Outubro de 2004, durante a governação de Thaksin Shinawatra, sete pessoas foram mortas num ataque feito pelas forças militares a uma mesquita local. Na sequência dos incidentes seis membros da povoação foram feitos prisioneiros, por alegadamente serem conspiradores e colaboradores dos terroristas, e ficaram detidos na prisão de Tak Bai.

Mais de um milhar de pessoas manifestou-se à porta da estação da Polícia solicitando a libertação daqueles que diziam ter sido presos sem razão.

No dia 25 as forças militares atacaram os manifestantes e procederam à prisão de 1.292 pessoas. De acordo com relatos da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, os detidos foram espancados, torturados, humilhados de variadas formas.

As forças militares decidiram transferir os detidos de Tak Bai para a província de Pattani para um campo militar onde ficariam detidos. Os detidos foram colocados, empilhados uns sobre os outros nos camiões militares em condições sobejamente conhecidas como sub humanas.

Nesse processo de transferência 78 pessoas encontraram a morte por asfixia devido às faltas de condições mínimas no transporte dos prisioneiros numa clara violação de todas as convenções internacionais que a própria Tailândia assinou e aderiu de livre vontade.

Nessa altura o PM Thaksin ainda teve o desplante de dizer que o facto de trem morrido se devia ao facto de se estar em pleno Ramadão e as pessoas estarem mais fracas.

O General Surayud, o PM saído do golpe militar de 2006 teve a honestidade de pedir desculpas aos familiares das vítimas e atribuiu uma verba a cada um dos familiares dos falecidos.

Entretanto os responsáveis pelos actos criminosos que ditaram a morte dessas pessoas acabaram agora, passados quase 5 anos por ser julgados.

E assim se teria feito justiça se não fosse o caso de todos terem sido absolvidos por o tribunal (um claro t pequeno) que os "julgou" durante este tempo todo.

Na sentença pode ler-se o seguinte: os militares e a polícia actuaram de acordo com a lei, utilizaram o seu julgamento para lidar com a situação de pressão e fizeram o seu melhor baseado nas circunstâncias da situação (sic). Na realidade, e ontem dizia-o no Bangkok Post, Voranai Vanijaka, a decisão do tribunal está conforme com a lei visto os militares estarem protegidos pelo Estado de Emergência e leis aplicáveis que lhes dão o poder de actuar sem que sejam feitos responsáveis pelos actos praticados enquanto tal situação existe.

Continua este articulista que a sentença está totalmente correcta de acordo com a lei tailandesa e que os familiares das vítimas poderão, se assim o entenderem, recorrer para o Tribunal Internacional dos Direitos Humanos.

Contudo o articulista deixa um pedido ás forças armadas tailandesas.

Depois de os saudar pelo facto de estarem prontos a defender o país solicita que quando se trata dos compatriotas, e no interesse do povo tailandês, quando se trata de tratar de assuntos internos que o façam pensando nos direitos das pessoas e das populações e que tenham em conta que são irmãos seus aqueles que estão na sua frente. Pode ser que entendam a mensagem.

Quem sai decididamente derrotado desta decisão judicial, que ao menos poderia ter condenado moralmente os autores de tremendo crime já que legalmente não o podiam fazer, é o Governo de Abhisit Vejjajiva que depositava alguma esperança numa decisão que de alguma forma apoiasse a sua intenção de encontrar uma forma de diálogo com o Sul que não passasse pelas armas só como é o que actualmente acontece. Abhisit anunciou no programa de Governo a criação de uma agência, civil, que seria quem iria regular e gerir as questões do Sul. De imediato os militares saíram a terreiro contradizendo a proposta do PM que até agora ainda não foi implementada e que com a decisão de hoje terá enorme dificuldade de o ser. Acrescenta-se que Abhisit perde, através desta decisão e do seu conteúdo, qualquer capacidade de entabular um diálogo construtivo com as gentes do Sul visto poucos irem, por certo, a partir de agora acreditar nas suas palavras.

Um dia triste para a Tailândia


sábado, 30 de maio de 2009

Visita ao Nordeste


Encontro-me há dois dias em Khon Kaen, a segunda maior cidade do Nordeste da Tailândia e a terceira no país.

Verdadeiro centro político e económico da bacia do Mekong, ainda que bastante distante do rio, é aqui que a Great Mekong Sub-Region tem a sua base de sustentação e trabalho no que respeita a Tailândia. Igualmente é a mais importante cidade do Economic Corridor West-East, a rede de comunicação projectada e criada com a ajuda do Asian Development Bank que pretende vir a ser o grande corredor para transportes de mercadorias entre a Baía de Bngala e o Mar da China, no Vietname.

Khon Kaen tem por outro lado uma das mais importantes Universidades do país com cerca de 40.000 alunos e 10.000 funcionários nos quais se incluiu uma grande quantidade de professores de línguas estrangeiras. Aqui chegam alunos de todos os países da região, com especial relevo para Birmânia, China, Cambodja e Vietname, que coexistem com alunos de muitas outras nacionalidades tão distantes como Gâmbia e Brasil. Interessante foi o encontro com a Presidente da associação dos estudantes nada mais nada menos que uma brasileira, ou não seja esse povo tão extrovertido em grande contraste com a tradicional timidez dos tailandeses.

Contrariamente ao que se possa entender Khon Kaen é amarela. Amarelo do Rei que não do PAD. A imagem de Sua Majestade está por todo o lado e o amarelo é profundamente usado pelas pessoas e não só às Segundas. Comparado com Bangkok, onde as cores de alguma forma desapareceram, devido ao receio que as pessoas têm de se ver associadas a movimentos políticos que não lhes interessam, o amarelo é a cor dominante.

Por outro lado a cor no coração e no sentimento das pessoas é o vermelho. Também não o vermelho da UDD mas a vermelho do seu mentor, Thaksin.

Contactei pessoas tão dispares como: o Governador, recentemente nomeado para substituir um "vermelho", um dos 111 membros excluídos da política, do TRT de Thaksin, que foi Deputado durante 26 anos e embora impedido de o ser agora continua a trabalhar na sombra, uma militante, com responsabilidades no PAD, o Director do Centro para o Desenvolvimento Social e Económico do Issan, assim é chamado o nordeste, um "Phuiyban", espécie de Presidente da Junta de Freguesia de um concelho limítrofe de Khon Kaen, o Reitor da Universidade e o Director do Centro de Estudos Internacionais, vários professores e alunos e um militante da esquerda, refugiado nas montanhas durante os anos 70 na época da caça aos comunistas.

Todos mostram uma consciência democrática muito mais evoluída do que aquilo que os "iluminados de Bangkok" pensam. Todos têm algum "desprezo" quer por vermelhos quer por amarelos e na essência a luta deles é pela sua terra, pelos valores mais próximos daquilo que é uma vida em comunidade e no fim pela pão para comer no dia a dia.

Amam, uns, e reconhecem-no, outros, o que Thaksin aqui fez, a forma como soube devolver às populações os votos que lhe deram através dos programas de desenvolvimento regional e constatam que a sua figura estará sempre na primeira linha de pensamento dos votantes. O Director da agência para o desenvolvimento, um claro apoiante do PM Abhisit, para além de dele dependente, dizia que Thaksin mostrou ao povo o que eles podiam conseguir com o voto e essa é um legado que retêm.

Também segundo esse senhor um dos grandes trabalhos a fazer tem a ver com o desenvolvimento dos recursos humanos e naturais da região. É necessário desenvolver o sistema educativo e a qualidade dos media, nomeadamente a da televisão, de modo a que as comunidades rurais, a grande maioria da população, tenha acesso a uma informação construtiva e não só baseada nas novelas que sempre passam nos horários nobres. Outra das grandes preocupações é o irrigamento das terras. Como já algumas vezes referi, em muitos pontos da Tailândia no mesmo ano existe seca e cheias não se conseguindo tirar todo o proveito e benefício que a água pode dar para um país onde a agricultura é predominante e um importante elemento contributivo para a economia da país. Mas dizia que nem 1% da verba que necessita tem e por isso se limita a elaborar um plano quinquenal sem ter no fim grande capacidade de o implementar.

Outro aspecto importante dos meus encontros foi o constatar que desde os tempos de Thaksin o Governo tem "desprezado" Khon Kaen com tão poucas vezes que aqui se v~e um seu membro, mas ao mesmo tempo as pessoas não dão grande importância a isso visto estarem mais concentrados na sua região. Não existe uma negação do ser tailandês, bem pelo contrário, não existe uma noção de desinteresse pelo país, mas existe uma forte noção de ser Issan de pertencer a este pedaço de terra, o maior no país, onde as gentes labutam a terra no dia a dia ou "oferecem" os seus filhos para o trabalho que tem de ser feito nas industrias e nos serviços no Sul e que os urbanos não querem fazer.

O "nacionalismo" Issan é uma realidade sem que isso traga qualquer carga de separatismo ou semelhante, e a imagem sempre presente de Rama IX, o Rei deles, isso bem mostra.

Uma das actuais preocupações, pelo menos para a maioria, que não para o Governador que minimizou este aspecto, é o facto de poder haver um retorno de cerca de 200.000 mil pessoas que perderam ou estarão em vias de perder os seus empregos nas fábricas de Chon Buri ou Rayong, ou nos hotéis, restaurantes e bares no Sul devido á crise económica nacional e internacional. Enquanto três pessoas me falavam daquele número o governador referia que o desemprego, devido à crise, afectava 800 pessoas. Não me esqueci de nenhum zero. Foi esse o número exacto que disse e afirmou que o governo da província está a proporcionar treino para requalificar essas pessoas.

No aspecto político vir aqui é confirmar a realidade daquilo que é o sistema partidário na Tailândia. Clubes de interesses e de negócios dominados por uma família que normalmente é a família mais rica na província e que consegue através da compra de tudo e todos colocar os seus homens nos lugares de influência. Em duas palavras é assim que funciona. Thaksin, se bem que seja um dos expoentes deste tipo de fazer política, alterou significativamente a equação quando mostrou aos habitantes das zonas rurais que caso votem num determinado projecto, o dele, conseguem obter o retorno em benefícios pare eles e para a comunidade em que vivem. Foi uma prática de aprendizagem de democracia directa que ultrapassou o velho sistema do cacique familiar para passar a ser o Partido ou ele mesmo o controleiro não de uma Província mas de toda uma região.

As próximas eleições intercalares em meados de Junho em Sakhon Nakhorn, onde consta que Nevin está a apostar forte para sair do seu "ghetto" de Buriran, vão ser um teste para entender se ele consegue ser o novo Thaksin, como penso que quer, ou se o velho ainda vai continuar a mandar. Dizia-me o Phuyaban, aquele que realmente iluminava a cara ao falar de Thaksin: ele hoje em dia não dá dinheiro ás pessoas. Já não precisa pois todos o têm no coração.

Esta é Khom Kaen a cidade amarela, capital do Issan do Norte como Ubon é a capital do Sul e Korat a do Centro.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A Vela que Ilumina


O PAD decidiu, depois de dois dias de discussões, em constituir um partido político e preparar-se para as futuras eleições. O partido poderá ser chamado, Tien Haeng Dharma, a Vela que Ilumina o Caminho, numa tradução livre, um nome diferente como os seus promotores pretendem que seja a sua política. O nome final será escolhido pelos aderentes entre o já referido e Partido PAD ou Partido da Nova Política.

O partido será subsidiado pela contribuição de 100 bath por mês de cada um dos seus militantes e/ou simpatizantes, contrariamente ao que é normal. Os partidos vão buscar dinheiro aos grandes grupos económicos para o redistribuir pelos seus membros que conseguem ser eleitos Deputados. Noutros casos compra-se o lugar que se pretende como o Secretário de Estado da Agricultura, que ontem se demitiu, por pressões do seu partido, o Bhum Jai Thai Party de Nevin, que disse, com a maior simplicidade, ter pago 100 milhões de bath, € 2,2 milhões, para obter a posição.

O Tien Haeng Dharma, o nome que recolhe segundo relatos o amaior número de adeptos, irá continuar a falar da “Nova Política” que o PAD pretende que seja limpa e capaz de responder perante os eleitores. Esta questão dos eleitores é um dos pontos sensíveis da “Nova Política” pois o PAD sempre se mostrou avesso a aceitar o voto das camadas rurais, a maioria no país, alegando que a sua falta de preparação política e de informação levava a que estivessem fortemente abertos a “vender” o seu voto a quem oferecesse mais dinheiro.

Na realidade esse é um facto na política tailandesa onde a eleição de deputados nas constituições, há também eleições em lista partidária nacional, é feita, não tendo em conta o Partido mas a pessoa que mais garante segurança, ofertas ou outros benefícios para o eleitor. Contudo verificou-se nas últimas eleições, bastantes disputadas e onde muito dinheiro andou de mão em mão, que muitos eleitores se deixaram seduzir pelo dinheiro mas fizeram-no de uma forma mais inteligente, tendo aceitado ofertas de diversos partidos, e no final votavam em consciência. Há um estudo feito pela Universidade Católica (Assunção) que mostra esta realidade a emergir.

O PAD apesar de falar da falta de instrução e informação dos eleitores nunca propôs nenhum programa de educação cívica que permitisse contrariar essa desigualdade, na palavra deles, e unicamente advogou que os votos deveriam ser expressos somente nas listas partidárias e também através de um sistema corporativo em que os diversos sectores profissionais elegessem os seus representantes para um Parlamento misto de eleitos e representantes.

Suriyasai Kantasila o Secretário-geral do PAD e provável secretário do Partido anunciou que o facto do movimento se ter constituído em partido não lhes retira a capacidade para continuarem os seus protestos de rua sempre e quando o entenderem necessário para lutar pelos seus ideais.

Shondi imthongkul será o líder do Tien Haeng Dharma e os jornais de imediato recordam um discurso dele em 2006 quando disse que podiam dar-lhe uma bofetada se ele entrasse na vida política activa. Com a nova moda de atirar sapatos perguntava o jornal em questão quem seria o primeiro a atirar um sapato a Sondhi.

Uma coisa o novo partido tem de diferente, para melhor, em relação à maioria dos outros. Têm um claro objectivo e um programa e não é só um clube de interesses monetários e de distribuição de lugares. Que sejam bem-vindos à luta democrático-partidária que este país bem necessita de debate constructivo para aprofundar os ideais de cada grupo de forma organizada, nos devidos lugares que a Democracia reservou, que não na rua. .

Outro aspecto a realçar nesta aparição, a melhor palavra para associar à vela, é o facto de ser mais uma nota a demonstrar que todos se preparam para as muito possíveis eleições a realizar num prazo curto. O Puea Thai procura um novo líder e está agendada para o dia 31 a sua reunião magna. O Bhum Jai está em marcha acelarada para conseguir o objectivo de ser o partido charneira do sistema político no país (só falta mesmo a amnistia para Nevin ser o candidato a PM), sem o qual nenhum outro partido pode assumir o poder. Os outros partidos mais pequenos estão de igual modo em movimento. Os Democratas pelo seu lado vão assistindo ao fortalecimento de organizações políticas que lhe vão retirar posições, visto concorrerem no mesmo espaço eleitoral, mas com tanto trabalho a fazer para assegurar que o governo e o país subsistam não conseguem dar atenção aos problemas partidários e estão claramente numa curva descendente.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

ASEAN


A Junta Militar da Birmânia acaba de emitir um comunicado rejeitando violentamente a declaração da Presidência da ASEAN, a Tailândia, que no passado dia 18 apelou à libertação da Aung San Suu Kyi e dos outros prisioneiros políticos.

A Junta acusa a Tailândia de emitir uma declaração que não está de acordo com os princípios da associação e viola a soberania de um dos países membros.

A declaração é um facto inédito de luta política entre dois membros da ASEAN. Recorde-se que um dos principiou da associação é a de não intromissão nos assuntos internos dos estados, bem diferente da União Europeia. Contudo o assunto da detenção de Aung San Suu Kyi só com uma visão muito restrita poderá ser considerado um assunto unicamente respeitante ao estado birmanês visto ser uma clara violação das próprias leis do país para além da violação de leis internacionais algumas delas a que o próprio estado está obrigado.

Na recente cimeira da ARF em que estive presente o Delegado da Birmânia agradeceu, como já referi, aos países vizinhos, omitindo propositadamente a Tailândia, China, Índia e Laos, a compreensão para com o processo Democrático em curso (já há quase 20 anos, acrescentaria) solicitando ao mesmo tempo que se tornassem nos arautos desse entendimento perante o Mundo. A China não condenou a prisão de lutadora pela liberdade mas referiu que o processo democrático deveria envolver todas as partes envolvidas nas questões no país, numa clara alusão à exclusão a que a oposição ao regime ditatorial está obrigada.

Teremos agora de esperar pela resposta da Tailândia e ver como se seguirá o diálogo daqui para a frente no espaço ASEAN.

A Irmã da Rainha


Quando Sondhi L deu a conferência de imprensa depois de ter saído do hospital na sequência do atentado de que foi alvo, atacou fortemente Thamphunying Viriya Chavakul que disse estar por detrás da tentativa de o calar para sempre.

A senhora em questão era ou é uma dama de companhia da Rainha e isso fez logo grandes ondas ao ponto de o palácio ter vindo a explicar que uma lady-in-waiting é nomeada por decreto real e não havia nenhum que nomeasse Viriya. O certo é que a senhora é Presidente de várias instituições que têm o alto patrocínio de Sua Majestade a Rainha e a ligação de ambas é evidente em muitos outros aspectos da vida social.

Desde essa altura o Grupo ASTV, proprietário dos meios de comunicação social, televisão e jornais, pertencentes a Sondhi, têm lançado permanentes ataques contra a figura de Viriya.

Recentemente um conjunto de pessoas organizou um almoço de solidariedade com Viriya e logo o Manager, jornal do grupo, atacou todos os presentes e organizdores do almoço denunciando a sua qualidade de apoiantes de quem tinha estado por detrás da organização do atentado ao seu líder.

Acontece que na fotografia que é dada à estampa nos jornais sobre o almoço aparece na primeira fila, e no lugar de mais relevo, Thanpuying Mom Rajawongse Busba Kitiyakara Sathanapong, nada mais nada menos do que a irmã mais nova da Rainha.

Veremos se a famosa lei de Lèse Majesté será chamada a terreiro neste caso ou se ela só se aplica contra os vermelhos como tem sido o caso.

Entretanto o PAD, que este fim de semana decidiu avançar para a criação de um partido político com Sondhi à cabeça, vai entendendo que os seus inimigos estão também dentro daqueles que os utilizaram como tropa de choque contra o thaksinismo.

sábado, 23 de maio de 2009

O Julgamento em Insein


O julgamento de Daw Aung San Suu Kyi continua na prisão de Insean o que de alguma forma é identificador da pressão que os ditadores de Napidaw sentem.

Na passada Quinta-Feira três Embaixadores, Rússia, Presidente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, Tailândia, Presidente da ASEAN e Singapura o Decano do Corpo Diplomático, tivera a oportunidade de se encontrar com Suu Kyi constatando que se encontrava de boa saúde e com elevado moral. O encontro contudo não durou mais do que escassos 10 minutos.

No dia seguinte o Corpo Diplomático foi igualmente autorizado a entrar na sala de audiências por um breve período, óbviamente num momento em que nada de importante acontecia.

Embora de pouca monta estes passos têm algum significado e, associados ao demorar dos procedimentos, alegando as autoridades de que existem bastantes testemunhas de acusação para serem ouvidas, mostra algum disconforto da Junta e é devido à pressão internacional que se faz sentir um pouco por todo o lado.

Na Quarta-feira, participei na cimeira da ARF, e tive a oportunidade de ouvir quase todos os países presentes condenarem o que se passa na Birmânia exigindo a imediata libertação de Suu Kyi e de todos os prisioneiros políticos como uma condiçao prévia para o apoio da comunidade internacional para aquilo que a Junta chama o caminho para a Democracia. No fim o Delegado da Junta falou.

Começou por explicar os aspectos legais relacionados com a "viloção" das condições de detenção de Suu Kyi para terminar por agradecer aos estados vizinhos, China, Índia e Laos, por compreenderem o processo Birmanês de Democracia e solicitando que fossem os arautos dessa noção junto da comunidade internacional. A Índia trata Burma como o país amigo com o qual tanto partilhamos (sic), o Laos, mais cauteloso, não deixou de mostrar que apoia o processo de "democratização em curso", sem mencionar os prisioneiros políticos, e a China considera que se tratar de um assunto de política interna sem contudo deixar de ter dito que o processo que conduz ás eleições de 2010 só pode ser bem entendido pelo comunidade internacional se nele entrarem todos os birmaneses. A Rússia não disse uma palavra sobre a Birmânia

A Tailândia, que presidia à Cimeira, após a intervençao do delegado da Birmânia, relembrou os delegados que no passado dia 18 tinha emitido um comunicado condenando a detenção e julgamento de Aung San Suu Kyi e apelando à imediata libertação de todos os prisioneiros políticos como o passo fundamental para a reconciliação nacional que todos apoiam.

Apesar de todos estes esforços da comunidade internacional e da possivel visita, ainda por confirmar, do Secretário-Geral das Nações Unidas, que se encontra na região, mais dia menos dia a lutadora pela liberdade e vencedora das últimas eleições será por certo condenada de tal forma que continue afastada dos olhos e dos ouvidos do Mundo. A Junta não se pode dar "ao luxo" de deixar que a liberdade dos seus opositores ponha em questão a vitória que necessitam, e assim garantem, nas eleições de 2010, de modo a preparar a forma como os lideres da Junta, já com significativa idade, possam continuar a enriquecer e a garantir a segurança deles e das suas famílias e a preparar a forma de saída que não os leve à barra do Tribunal Criminal Internacional a ser julgados pelos variados crimes contra a humanidade que tem sido o seu domínio de quase 20 anos.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O Sistema Político

Desde os acontecimentos do início de Abril que lançaram, de novo, o caos sobre o país e na sequência das derrotas de quase todos os actores, os ânimos têm estado bastante mais calmos visto ninguém se atrever a dar mais um passo em falso.

Abhisit, como já referi, aproveitou para lançar um plano de reestruturação do sistema político e de reconciliação nacional, através da propalada amnistia de 220 políticos cujos direitos estão caçados, mas falhou em ambos os seus intentos.

De comissão em comissão o país vai assistindo ao adiar das propostas entretanto feitas no Parlamento.

Neste momento são já sem conta os números de comissões que investigam tudo e todos para não se chegar a nenhuma conclusão. O mesmo se passa com o sistema judicial onde todos os casos continuam por ver o dia em que será realizada a audiência de julgamento. O caso mais saliente é o relativo ao congelamento dos bens de Thaksin Shinawatra que já vai em mais de dois anos. O último julgamento esteve marcado para o dia 15 de Dezembro, o exacto dia em que o Governo da coligação Democrata assumiu o poder. Desde então nada mais se ouviu dizer. Entretanto temos os casos do Santika, do PAD, dos membros da UDD, dos Deputados acusados de corrupção, do próprio Samak, num caso de difamação, dos acontecimentos do 7 de Outubro, do atentado contra Sondhi, da compra das árvores-da-borracha em que está envolvido Nevin, entre outros, etc, etc, etc.

Parece mesmo que estamos em Portugal. Comissões para que nada se resolva e ineficiência judicial com as investigações e os julgamentos a arrastarem-se até ao esquecimento.

Outros como os vermelhos e os amarelos estão num momento de reflexão. Ambos têm marcado para a próxima semana eventos onde irão repensar as próximas acções sendo que no caso do PAD a questão dominante é se deverão ou não transformar-se num Partido Político. Há muitas vozes que estão contra alegando que se o fizerem perdem a sua capacidade de ser uma força capaz de sair a defender os seus pontos de vista da forma que têm utilizado até agora. Na UDD o seu grande empenho é reconstruir a sua máquina de propaganda com uma nova estação de Televisão e novas rádios, visto as anteriores terem sido recentemente encerradas pelo Governo. Por outro lado nota-se um mais claro distanciamento do movimento de Thaksin aliás como era esperado. A UDD pretende representar uma força unitária contra a elite dominante e as forças que a apoiam.

As propostas de Abhisit para rever a Constituição e reformar o sistema político estão claramente em "banho-maria" e já ninguém se lembra do, já expirado, prazo de 15 dias dado aos partidos para apresentarem as suas propostas. Pelo contrário debate-se na comunicação social argumentos a favor e contra a revisão constitucional e a amnistia sem que nenhuma proposta seja avançada por qualquer dos partidos. Em vez de ser fazer política nos locais apropriados, Parlamento, faz-se politiquice, na comunicação social.

Uma das principais questões do falhanço de todas estas iniciativas tem a ver com o sistema político vigente no país.


Os partidos políticos não são associações cívicas de interesses sociais e políticos de cidadãos mas unicamente clubes movidos por interesses económicos e pelo dinheiro do “cacique” local. As eleições têm duas componentes. A lista partidária nacional onde se escolhe o partido e as eleições nas constituições das 76 províncias onde em geral é eleito o/a candidato/a que pelo seu poder e influência é mais capaz comprar votos. Este tem sido um dos cavalos de batalha do PAD, dizendo que o povo se deixa influenciar pelo dinheiro e “vende” o seu voto e por isso deveria haver um sistema de tipo corporativo com uma representação de sectores sociais e não eleição directa. Interessante que esta visão de que o povo é inculto não é acompanhada de nenhuma proposta para que se eleve a qualidade da educação e dos meios de comunicação social como a televisão que durante as horas nobres só passa telenovelas, qual Portugal. O normal de um movimento consciente e interessado no seu povo seria a de propor uma mais extensa e melhor educação para todos e meios de comunicação social que permitissem o povo, sabendo-se a força da penetração da televisão, pudesse estar mais consciente dos seus direitos e deveres como cidadãos capazes de intervir na definição do seu futuro.

Muitas vozes reclamam agora para o retorno da Constituição de 1997, aquela que é apelidada a Constituição do Povo, mas o facto é que não existe mecanismo legal que permita que venha de novo a ser reintroduzida no sistema. As possibilidades de isso acontecer dentro do actual quadro legal existente são menores do que 1% e na realidade só uma intervenção estranha ao sistema democrático, um golpe seja ele de que teor for, poderá suspender o actual texto constitucional e trazer de volta aquele que é favorável ao desenvolvimento do sistema de partidos.

Como Churchil uma vez disse a Democracia é o pior dos sistemas políticos, excepto comparando com todos os outros que já foram experimentados. E essa sem Partidos Políticos fortes, ideológicamente identificáveis, limpos e capazes de verdadeiramente representar os interesses dos cidadãos não é possível. Democracias baseadas no dinheiro, como aqui, ou em partidos únicos como em vários dos estados vizinhos não são salutares.

A Tailândia tem direito a ter o seu próprio entender de democracia mas quando aqueles para quem ela deve servir forem não os beneficiários mas as vítimas esse sistema estará errado.

Não se entrar numa via que tenha em conta os interesses, reais e legítimos dos cidadãos, será sempre uma derrota mesmo para aqueles que pensam estar a ganhar.
Abhisit já mostrou por várias vezes querer tentar dar um novo rumo ao país mas os “partidos” que existem no sistema político não estão aqui para isso.

Abhsit é um extemporâneo. Chegou ao poder talvez uns 10 anos cedo demais.